Sangue Novo
Texto por Patrícia César Vicente
Fotografia por Tiago Serrano
Como é que surgiu o design de Moda na tua vida?
O design de moda surgiu de forma muito natural na minha vida. Sempre fui inclinado para as artes, o que me levou até à António Arroio, onde, no 10.º ano, experimentei a área de Têxteis — e isso trouxe-me uma calma e uma sensação incríveis. Depois de têxteis, pensei: porque não experimentar design de moda? Foi uma transição espontânea, mas lógica. Decidi então entrar em Design de Moda e Têxtil, em Castelo Branco, um curso que integra também a área têxtil. A partir daí, tornou-se uma forma de expressão que me deu asas de uma forma inesperada.

Ao longo do teu percurso pensaste em desistir?
Não, nunca pensei em desistir. Houve momentos em que me questionei sobre outras possibilidades dentro das artes ou até noutras áreas relacionadas com a moda, mas sempre como forma de explorar — nunca por falta de vontade ou desmotivação. Desde que entrei no mundo do design, senti-me cada vez mais ligado a ele. Mesmo que o início tenha sido mais lento, porque eu ainda não conhecia bem este universo, fui descobrindo aos poucos que era mesmo aqui que queria estar.

Mesmo sendo um mercado e meio competitivo e com poucas oportunidades o que te fez avançar?
No início assustava-me ouvir isso tantas vezes ou reparar por mim mesmo. Mas a curiosidade falou mais alto: “Será que é mesmo assim? E se for, será que consigo gostar disto na mesma?” E a verdade é que, sim, é um meio competitivo, mas tive sempre muito apoio — da família, de amigos, professores. Isso ajudou a que não me sentisse tão sozinho nesta luta, que ainda agora começou.

Se for para sonhar muito, muito alto, onde é que gostarias de chegar?
Sinceramente, não tenho um sonho fixo. Gostava de ter uma lojinha da minha marca, e de estar bem com isso, comigo e com os meus. Mesmo que exija sacrifícios, o meu maior desejo é poder continuar a expressar-me o máximo possível, mantendo o lado mais artístico e conceptual do meu trabalho, algo que muitas vezes se perde por pressão do mercado, mas que para mim é essencial. E gostava de conseguir, com isso, chegar a cada vez mais pessoas.

Qual a tua opinião sobre o Design Português, e a razão pela qual se conhece muito o made in Portugal mas não tanto o design?
Sinto que o design português é um universo complexo e, infelizmente, ainda pequeno. Criar ou manter uma marca em Portugal é muito difícil. O mercado interno é limitado e, no fim do dia, a moda é também um negócio que muitas vezes não gera lucro. Quanto mais conceptual ou inovador for o trabalho, mais desafiante se torna colocá-lo a um preço acessível para o público português. Por outro lado, o made in Portugal é muito valorizado lá fora, sobretudo pela excelente qualidade da produção. Mas essa valorização raramente se estende ao design nacional enquanto expressão criativa e autoral. Essa é uma distinção que nem sempre é feita.

Qual foi o melhor conselho que te deram?
O melhor conselho que me deram… para ser sincero, a minha memória não é grande coisa. Mas talvez tenha sido algo tão simples como um “Tu consegues”. Pode parecer pouco, mas carrega um peso enorme, o de acreditar. E isso foi tudo o que precisei para me empenhar de verdade, sem medo, sem travões.

fotografia
Tiago Serrano @tiagoserranoadc
modelo
Oliber Santos (oliber_santos) da Elite Lisbon
styling
Joana Ribeiro @joanaribeiro____
Lucas Luz @mynameislucasluz
make up
Lucas Luz (@mynameislucasluz
Entrevista e produção fotográfica para PARQ_82.pdf