Unsafe Space Garden

texto por Hugo Pinto

fotografia por Manuel Simões , edição Vera Marmelo

Para quem como nós acompanha os Unsafe Space Garden desde o ínicio, tem sido uma alegria vê-los explodir mundo fora. Na volta do South By Southwest passaram por Lisboa e aproveitámos para uma entrevista pouco convencional com Alexandra “Cuecas”

Tu és?

Olá, eu sou a Alexandra.

E fazes o quê na banda?

Eu canto, danço e toco teclados.

E esse sotaque?

É muito de Guimarães. E acho que de cada vez que eu desço abaixo de Coimbra, ele ainda fica mais carregado.

No vosso último disco “O melhor e pior da música biológica”, qual é a vossa lógica?

É uma lógica muito biológica de procurar e exacerbar ao máximo tudo aquilo que há de maravilhoso na experiência de estar vivo no planeta Terra.

Num espaço de jardim que não é seguro, como é que vocês vêem o vosso futuro? Procuramos trazer nós alguma estabilidade dentro daquilo que sabemos e podemos produzir na nossa vida e na dos outros.

“O vosso disco que é uma palhaçada pegada”, isto é um elogio ou uma charada?

Eu acho que é um elogio.

Vocês são uma banda de culto. O que é que vocês têm contra os adultos?

Acho que um bom adulto passa a vida a descobrir como é que ainda pode ser criança.

Qual é a (re)percussão de terem nascido no berço da nação?

Uma síndrome de impostor muito grande.

Não há uma vibe de Guimarães?

Acho que há muitas bandas em Guimarães e Guimarães têm uma personalidade muito forte e então nós achamos sempre que somos muito pequenos e muito estranhos.

Têm atuado no estrangeiro, já estão cheios de dinheiro?

Não, nós estamos como a Floribela, pobres em ouro e ricos em sonhos.

Nos States foi tudo uma coboiada?

Foi, definitivamente. E nós éramos os piores deles todos.

Já sofrem de egotite?

Total, todos os dias… E o Nuno é o pior.

“Uma faca no cu não é nada fixe” é uma impressão vossa ou uma expressão minhota?

É uma adulteração da expressão “facada nas costas” que no caso é no rabo porque se tentarmos dar a nós mesmos uma facada nas costas vai um bocado mais para baixo.

Como é que vocês lidam com a inteligência artificial?

Existe um senhor aqui em Portugal que odeia a inteligência artificial e é a favor da burrice naturale nós somos dessa equipa, nós gostamos mais da burrice natural.

Qual é a vossa posição sobre o uso e abuso de substâncias naturais?

Tudo o que a natureza traz feito com consciência há de ser maravilhoso.

Já não há pachorra para o quê?

Para pessoas em posição de poder que impedem as pessoas que não estão em posição de poder de ver o mundo como ele é, que é belo.

Tenho a certeza que vocês vão rebentar, nessa altura vai cheirar a quê?

Maltesers… E paz e amor.

Um vinil parece-me uma estratégia mercantilista para hipsters responsáveis pela gentrificação das cidades, porquê este saudosismo em editar um objeto físico lindíssimo, e com bom som, em vez de meterem um link na internet?

Porque somos de Guimarães, queríamos só mesmo ter um objeto que provasse que nós existimos.

Qual é que foi o primeiro disco que te bateu?

Foi o Kid A dos Radiohead, até me lembro do dia.

E o que andas tu a ouvir agora?

Esta semana eu estive a ouvir muito intensamente a Kate Bush.