Texto de Hugo Pinto

No segundo dia do Nos Alive 2026 foi o rock que dominou. Mais especificamente o rock americano, mesmo quando tocado por mexicanas ou ingleses.

The War On Drugs, fotografia de Matilde Fieschi / NOS Alive


Quando cheguei, passei por Picas no palco Coreto. Uma jovem cantora tuga, de voz afinada e melodias inocentes. Ouvi, acenei e saí de fininho para o palco Heineken.


Os War on Drugs até começaram bem, com um rock musculado a fazer lembrar o som do Springsteen nos anos 80. O público aderiu em massa e com a revisitação dos temas antigos, não faltou quem cantasse os refrões e fizesse a festa. Infelizmente, com o desenrolar do concerto, apercebi-me que os trabalhos recentes já não têm o power dos primeiros discos.


No palco principal os Foo Fighters encerravam a digressão europeia. Têm uma fiel legião de fãs no nosso país, sempre alimentada pelos inúmeros concertos que aqui deram. Nenhum deles saiu desiludido da noite de ontem. Deram um concerto pujante, cheio de alma, com muita gritaria e solos de guitarra. Houve conversas com o público e nota-se o afecto que Dave Grohl nutre pelo nosso país. Concerto longo e extenuante onde não faltaram todos os clássicos e algumas surpresas. (A versão dos Buzzcocks é particularmente feliz). “There is nothing else to lose” de 1999, continua a ser o disco mais tocado e também o mais cantado pela multidão.

FOO FIGHTERS, fotografia de SARAH AWKKK / NOS Alive


Já perto da uma da manhã, o duo alemão Digitalism começava no Clubbing. Um live act que soou a dj set, muito amigável, a usar e abusar do French Touch. Longe vão os tempos da originalidade na editora Kitsuné, agora sobra um revisionismo simpático da house que toda a gente gosta. Giro mas convenhamos, é pouco e não sai do sítio.


Entretanto na palco Fado, Legendary Tigerman apresentava Playback, o seu mais recente projeto dedicado a Carlos Paião. Ele de fato branco na guitarra, o baterista tatuado com ar de heavy metal, Mike Ghost, Sara Badalo a fazer segunda voz, vestida à Cândida Branca Flor, João Cabrita nos teclados e saxofone e Rafael Ferreira a cantar. O concerto insere-se num futuro biopic a ser brevemente exibido nas salas de cinema.

Rafael Ferreira é o ator principal numa fórmula já testada e que funcionou muito bem recentemente, com António Variações. Ora bem, eu aprecio o esforço e a atitude mas convenhamos, este kitch nunca foi bom. Carlos Paião foi do melhor do nacional cançonetismo festival-da-canção, ainda assim, estas canções, das quais todos da minha geração sabem o refrão, nunca foram recomendáveis. Sim, é divertido. Sim, Tigerman torna a coisa melhor mas… Thanks but no thanks.

SBTRKT, fotografia de TOMICORNIO, /NOS Alive


Terminou a noite com SBTRKT. Um dos maiores nomes da elétronica inglesa atuou, algo surpreendentemente, sem máscara.
Infelizmente foi um DJ Set. Eu, que amei os seus discos de 2011 e 2014, teria preferido ver o produtor em ação. Ainda assim, tive a oportunidade de dançar os seus temas, agora em versões remisturadas. Foi um set cheio de força porque o homem não pára.
Breakbeat, IDM, um cheirinho de Drum and Bass aqui e ali, pouca house, muito tecno. Nunca aborrecido, Aaron Jerome Foulds de seu nome, mostrou que Londres ainda é a casa mais excitante da música elétronica atual. Cansado e satisfeito, já quase às 3 da manhã, vou pra casa que amanhã há mais e melhor.