Texto por Rafael Vieira

Fotografia por Pedro Pina/Oceanário de Lisboa


As «Florestas Submersas» de Takashi Amano no Oceanário de Lisboa chegam ao fim após dez anos a transformar um aquário
gigante numa floresta tropical em permanente crescimento.

No Oceanário de Lisboa está patente a exposição temporária «Florestas Submersas by Takashi Amano», um dos projectos mais emblemáticos do espaço e que se encontra agora na recta final do seu ciclo expositivo. A exposição encerra a 30 de Junho de 2026, após uma década em que recebeu milhões de visitantes e se afirmou como uma das experiências mais marcantes na programação do Oceanário.

A peça central da exposição é um aquário de grandes dimensões concebido por Takashi Amano, fotógrafo de paisagem e aquascaper japonês que revolucionou a forma de pensar aquários plantados. Com cerca de 40 metros de comprimento e uma capacidade de 160 mil litros de água doce, trata-se de um dos maiores nature aquariums alguma vez construídos. A estrutura em forma de U permite uma visão contínua da composição, criando uma sensação de profundidade e imersão pouco comum neste tipo de instalação.

O projecto recria uma interpretação artística de florestas tropicais submersas. Estes ecossistemas são apresentados como paisagens densas e organizadas segundo uma lógica que combina precisão técnica e sensibilidade estética. No interior do aquário encontram-se toneladas de rocha vulcânica, areia e dezenas de troncos cuidadosamente dispostos, que suportam o crescimento de dezenas de espécies de plantas aquáticas. A presença de peixes tropicais de água doce completa o sistema vivo em constante transformação.

A exposição destaca a importância das florestas tropicais enquanto um dos habitats mais ricos do planeta. Apesar de ocuparem uma pequena percentagem da superfície terrestre, concentram mais de metade da biodiversidade conhecida. Ao mesmo tempo, são também um dos ecossistemas mais ameaçados pela pressão humana e pelas alterações ambientais. A obra de Amano traduz esta realidade para uma linguagem visual que procura aproximar o visitante de um mundo que, em condições naturais, é de difícil acesso.

Um dos aspectos distintivos da exposição é a forma como articula diferentes sentidos. A experiência não se limita à observação do aquário. O ambiente é complementado por som e por uma componente olfactiva que reforça a ideia de imersão. A música original de Rodrigo Leão contribui para criar um enquadramento sonoro contínuo, enquanto a cenografia envolve o visitante numa perceção mais ampla do espaço.

Takashi Amano introduziu no design de aquários o conceito japonês de wabi sabi, associado à valorização da imperfeição, da simplicidade e da passagem do tempo. Este princípio está presente na forma como as composições são construídas, procurando um equilíbrio que não depende da simetria rígida, mas de uma ordem natural que se desenvolve com o crescimento das plantas e a evolução do ecossistema.

Desde a sua inauguração, a exposição já foi visitada por cerca de sete milhões de pessoas. Ao longo destes anos, consolidou-se como um exemplo de colaboração entre arte, ciência e educação ambiental. A sua presença no Oceanário de Lisboa reforça também o compromisso da instituição com a conservação da natureza e a sensibilização para os desafios ambientais contemporâneos.

Até ao encerramento, a exposição continua aberta ao público e mantém intacta a sua capacidade de atrair atenção e gerar contemplação. A experiência propõe um contacto directo com uma natureza recriada, onde o tempo, o crescimento e o equilíbrio são parte activa da obra.

Mais informações e compra de bilhete por aqui:
https://oceanario.pt/exposicoes/florestas-submersas/

Foi também lançada uma página retrospectiva especial para celebrar a década da exposição e o seu encerramento:
https://www.adana.co.jp/en/contents/lisbon/index.html