(mas devia)
texto de Lara Mather
Muitas vezes, a procura pelo filme romântico perfeito acaba nos mesmos títulos de sempre. No entanto, o cinema guardou preciosidades que, embora tenham ficado fora do radar das recomendações habituais nos últimos anos, mantêm uma força e uma autenticidade raras. Esta seleção resgata histórias que merecem ser revistas com um novo olhar.

¡Átame! (1989) Realizado pelo icónico Pedro Almodóvar, este filme explora o lado mais obsessivo do desejo. A narrativa acompanha um homem que, após receber alta de uma ala psiquiátrica, decide raptar uma atriz com quem fantasia para a convencer a casar com ele. É uma obra visualmente sedutora e provocadora que nos faz questionar os limites da paixão e da Síndrome de Estocolmo.
Poetic Justice (1993) O realizador John Singleton apresenta uma história de amor improvável e profundamente autêntica. Justice, interpretada por Janet Jackson, utiliza a poesia para lidar com o luto e acaba por se cruzar com Lucky, personagem de Tupac, numa viagem transformadora. É uma fusão equilibrada entre lirismo, ambiente urbano e a crueza dos anos 90.

Ghost (1990) Embora seja raramente recomendado hoje em dia, Ghost é um clássico que continua a emocionar, muito por culpa da sua banda sonora icónica. O realizador Jerry Zucker concebeu uma história onde o amor vence a própria morte. Quando Sam é assassinado, o seu espírito permanece presente para proteger a namorada, Demi Moore. Patrick Swayze entrega aqui uma interpretação memorável, num filme que continua a ser o expoente máximo da nostalgia romântica.
Only Lovers Left Alive (2013) Com um toque sobrenatural mais moderno e alternativo, o realizador Jim Jarmusch apresenta um romance que atravessa séculos. Tilda Swinton e Tom Hiddleston interpretam dois vampiros intelectuais que vivem um amor gótico e introspectivo. É uma obra carregada de estilo, ideal para quem aprecia histórias que ignoram as convenções do tempo.

Shakespeare in Love (1998) Com o regresso de Gwyneth Paltrow ao grande ecrã, torna-se imperativo recordar este filme emblemático dos anos 90. O realizador John Madden oferece uma versão ficcionada de como Shakespeare encontrou a sua musa, numa história de amor proibido marcada pelo drama e pela tragédia. Como Shakespeare não há ninguém, por isso o melhor é mesmo preparar os lenços.
Four Weddings and a Funeral (1994) O clássico britânico por excelência. Sob a direção de Mike Newell, Hugh Grant brilha no papel do eterno solteiro. O título é explícito pois, ao longo de quatro casamentos e um funeral, o protagonista descobre, entre o humor e a melancolia, o verdadeiro significado do amor. É a escolha ideal para quem procura um romance leve mas com substância.

The Taste of Things (2023) Para fechar, o olhar sereno de Trần Anh Hùng transporta-nos até França no ano de 1889. O filme retrata o romance duradouro entre dois gastrónomos, mostrando como a cozinha pode ser a mais pura linguagem de amor. É uma sugestão imperdível para os amantes da gastronomia, apresentando-se como uma experiência sensorial que exige tempo para ser devidamente apreciada.
Estas sugestões provam que o romance no cinema pode assumir muitas formas, desde a gastronomia à poesia ou até ao sobrenatural. São convites para fugir do óbvio e redescobrir o prazer de uma boa história de amor.