Texto por Patrícia César Vicente

Fotografia por Diogo Navy

O Hélder está a tornar-se uma companhia cada vez mais familiar para todos. A voz muito característica, e tem aquele o ar descontraído de quem está a construir o seu caminho com vontade, e certeza do que quer. Nesta produção para a Parq Magazine o Hélder foi igualzinho ao que vocês vêm nas redes sociais e ouvem diariamente na rádio, muito educado e divertido, só que ainda com mais estilo do que o habitual. E só podia ser uma das capas desta edição.

Camisa Scalpers, Calções Manuel Baer sobre calções de banho Fred Perry

PCV: Hélder, como é que foi o início, do início, do início da tua carreira?

HT: Se falares em termos de rádio, começou em 2019. Foi aí que comecei a dar, portanto, os primeiros passos. Fui estagiar para a Cidade FM, esse estágio durou nove meses. E, portanto, passados nove meses, tive a sorte de ficar na equipa da Cidade FM. E há um problema muito… Não é, provavelmente, um problema, mas… Nesta área da comunicação há muito mais procura do que de oferta e mesmo dedicando-me ao máximo, fui para lá a achar que não ia ser contratado, porque ia ser muito complicado arranjar um lugar para mim. Mas durante esse tempo, tentei marcar a minha presença, não é? Dar-me a conhecer e, sobretudo, mostrar o meu valor, aceitando tudo o que havia para aceitar. Sempre que havia uma possibilidade de me enviarem para fazer reportagem no exterior, eu aceitava. E acho que isso ajudou muito, o facto de eu ter mostrado disponibilidade para tudo e mais alguma coisa, acho que foi o que fez com que, na altura, a minha direção olhasse para mim e pensasse, ok, este é bom.

Camisa Scalpers, Calções Manuel Baer sobre calções de banho Fred Perry

PCV: Achas que foi o factor diferencial, seres sempre disponível?

HT: Eu acho que sim. Como não negava nada, eles perceberam que eu estava sempre disponível, e foram-me dando mais coisas e mais coisas, até chegarmos a Dezembro de 2019, e recebo a notícia de que ia ficar na cidade da Cidade FM. Portanto, o primeiro programa que eu faço na cidade é logo o programa da manhã, em fevereiro de 2020, e, entretanto, passado o mês, Covid.

PCV Foi um desafio. Tens de fazer muito mais companhia às pessoas…

HT: Sim, sim, sim.

Lenço no cabelo Levis, calças castanhas Scalpers

PCV: Seres disponível e agarrares todas as oportunidades, achas que são as características principais ou mais alguma que esteja acima destas?

HT: Essa é, de facto, uma delas. Ou seja, vou agarrar todas as oportunidades, porque, lá está, eu sempre quis fazer rádio, desde muito novo. Foi um caminho em que, sobretudo, a minha família não tinha bem noção do que era rádio, nem do impacto que a rádio podia ter, e também não compreendiam propriamente o valor. Portanto, sobretudo o meu avô, ao ver-me escolher aquele caminho pensava “tens mesmo a certeza que é isto que queres?” Foi um caminho em que eu tive de provar, não só à malta que me rodeava, mas sobretudo à minha família. Foi um “quero isto e vou ter sucesso nisto”. Acho que a rádio tem evoluído bastante. E claro, voz ajuda-te. A voz é um ponto importante também.

PCV: Agora imagina que tu eras miúdo, querias ser locutor de rádio, mas não tinhas a voz. Achas que tinhas lá chegado?

HT: Não, com 12 ano gozavam comigo e diziam que eu tinha a voz de menina.

Camisa Manuel Baer, óculos de sol Ray Ban

PCV: A televisão está nos teus planos?

HT: Está nos meus planos. Já comecei a fazer algumas coisinhas na televisão, não muito, estou a começar devagarinho

PCV: A apresentação dos Prémios Play foi uma das coisas mais recentes…

HT: Sim, sim, sim, sim.

PCV: É nesse registo que te sentes mais confortável em TV? O que é que gostavas de explorar?

HT: Gostava de explorar muito o entretenimento. Gostei muito de ser repórter digital dos Prémios Play. E sobretudo aquele ritmo acelerado. Eu gosto de… Adrenalina. Adrenalina, eu gosto, gosto muito. Até na rádio, eu tento muito que o meu programa seja muito rítmico. Tento que não haja muitas paragens, lido muito mal com paragens sobretudo em rádio. Gosto de coisas muito animadas e com ritmo. Acho que em televisão também me vejo a fazer muito esse estilo. Ou seja, um programa de entretenimento, mas que não seja uma coisa muito parada, muito chata. Gosto… é um programa de entretenimento com muita coisa a acontecer.

Camisa Manuel Baer, socos UGG

PCV: Sentires que estás a fazer uma companhia lá em casa para as pessoas, onde estão sempre coisas a acontecer. O que implica também o sentido de improviso.

HT: Exatamente. Porque a rádio vive muito de improviso. Eu acho que ganhei muito isso, sobretudo com o programa de amanhã. Agora, apesar de estar a fazer um programa ao final da tarde, é um programa que também vive muito do improviso, porque é um programa que eu faço com mais uma pessoa. Esta dinâmica também faz com que haja esse lado do improviso e não tanto acompanharmos aqueles guiões, digamos assim.

PCV: Diz-me alguém com quem gostasse de trabalhar em televisão? Nós deste lado já estamos de olhos no futuro.

HT: Olha, isso é uma boa pergunta. Por exemplo, é engraçado. Eu via-me fazer um programa com o Zé Lopes. Não só, mas sobretudo o Zé Lopes, porque acho que ajuda termos idades muito próximas. E depois é uma pessoa com muita energia. Portanto, eu sendo igualmente uma pessoa muito energética, acho que podia resultar muito bem. Via-me fazer um programa também com… É engraçado. Por exemplo, a Cristina Ferreira é a uma enorme figura da televisão, não é? Mas ainda assim, eu não sei até que ponto é que não ia estar demasiado acanhado por estar com uma figura daquela dimensão. Ou a Catarina Furtado porque gostava de ver um bocadinho o contraste. E talvez, mais uma pessoa, posso dizer… A Patrocínio.

Camisa Manuel Baer, calções Levis, socos UGG

PCV: Disseste uma vez em entrevista que o trabalho da rádio precisa de improviso, mas também tens de te preparar. Como é que te preparas?

HT: No nosso programa da tarde temos um produtor fixo. E nós… Acho que desde o Covid… O Covid trouxe-nos uma coisa que é o trabalho a partir de casa, não é? Muitas pessoas agora trabalham a partir de casa. O que faz com que, por um lado, consigamos utilizar o WhatsApp como forma de trabalhar. No sentido de vamos abordar mais este tema hoje, ou vamos abordar…. Existe um alinhamento, como num programa de televisão, digamos assim.E sinto que nunca me desligo, porque de repente vejo uma notícia que eu acho que pode dar para o programa e eu utilizo. O facto de estar sempre agarrado ao telemóvel e acompanhar sempre as notícias, a ver o que é que dá jeito ou não. E depois, a própria vida, a rádio também vive muito daquilo que são as nossas experiências diárias.

PCV: Achas que por ser criador de conteúdos também te ajudou na rádio, ou a rádio é que te ajudou a ser criador de conteúdos? O que é que achas que ajudou aqui?

HT: Eu acho que o ser criador de conteúdos ajudou-me muito na rádio. Por exemplo, comecei a fazer vídeos que se tornaram virais, sobretudo no TikTok. Eu começo a fazer vídeos no TikTok com desafios. O pessoal dizia “olha, mete duas músicas a tocar ao mesmo tempo na rádio”. E eu metia. Ou então “diz na rádio que gostas de choco frito”. Não se está à espera que um locutor de rádio diga no ar “Olá, eu sou o Hélder Tavares e gosto de choco frito”. Acho que esse meu lado de ser criador de conteúdos deu-me e ainda hoje me dá muito jeito para os conteúdos que acabo por criar na rádio, sem dúvida alguma.

PCV: Pior momento e melhor momento que possas dizer em entrevista?

HT: Melhor momento em rádio? Melhor momento? Já tive grandes momentos em rádio. Mas talvez um grande momento… é uma ótima questão…Esta, de facto, está na lista dos meus melhores momentos foi quando assumi pela primeira vez a emissão, na altura ainda, na Cidade da FM.

Portanto, foi a primeira vez que me mandaram aos leões, e gostei, não é? Portanto, assumir a emissão. E depois, a RFM, claro.

PCV: E o menos bom?

HT: Em janeiro, assumo, a partir do dia 27 de janeiro, começo a fazer emissões na RFM. Digo que foi o menos bom, porque eu sou um bocadinho perfeccionista e quando sinto que há uma coisa que foge do meu controle… Para mim a emissão já está logo estragada. E assim, na primeira emissão, sabemos que se dá o benefício da dúvida, porque parte-se do pressuposto que nunca vai ser excelente.

Ainda para mais numa casa nova, onde o sistema operativo é completamente diferente daquilo que eu tinha na rádio anterior.

As vias são completamente diferentes. Há muito mais tudo em relação à rádio anterior. E portanto, a primeira vez que eu falo no ar, ouço-me em eco. Deixo a rádio em branco, sem música durante uns segundos.Os técnicos vieram, e perceberam que aquilo estava uma confusão enorme. Portanto, aquilo tudo, esse ritmo, que eu não estava habituado. Nas manhãs da cidade, de facto, nós tínhamos ali um ritmo muito acelerado, mas não desta forma como estás a comandar a segunda rádio mais ouvida em Portugal. Foi uma dor de crescimento.

PCV: Foi uma dor de crescimento. Agora, à medida que vais crescendo profissionalmente, acumulas medos ou eles diminuem? Um bocadinho as duas coisas.

HT: Há uns que diminuem e outros… que sinto que acumulam medo, por exemplo. De repente chegas à segunda rádio mais ouvida em Portugal e portanto significa que és bom, mas sinto sempre que… ainda não estou… Lá está, é aquele lado profissional de sentir que não estou como eu deveria estar.

PCV: Agora…qual é que é a pergunta que gostarias que tivessem feito e nunca fizeram até hoje? Já foste algumas vezes entrevistado, qual é que foi a pergunta que gostarias que tivessem feito e até hoje nunca ninguém fez?

HT: Uma pergunta que eu gostaria que me fizessem e nunca me fizeram. De facto, já me fizeram muitas perguntas mas dessa pergunta não estava à espera.

Mas uma pergunta que nunca me fizeram… Isto é incrível, isto é uma grande opção. És feliz? Esta pergunta nunca me fizeram..

PCV: És feliz?

HT: Sou feliz, mas eu vim a perceber, ao longo do tempo, que tenho atingido algumas metas que… Algumas metas que sempre me propus a mim mesmo. Por exemplo, neste momento vivo numa zona que sempre quis viver, que sempre me via a viver na vida adulta. Ainda para mais ali ao lado do Estádio da Luz. Trabalho na segunda rádio mais ouvida em Portugal. Estou bem, graças a Deus, para já a nível financeiro, parte do pressuposto que, ok, para já, está tranquilo. Eu sinto que sou uma pessoa feliz, mas ambiciono mais.

E este ambicionar faz com que eu, às vezes, não esteja confortável com essa minha felicidade, que é… Estou bem, as coisas correm bem neste momento. Estou-me a dizer a mim mesmo que sou uma pessoa feliz. Mas às vezes eu sinto que esses momentos de felicidade vão…são instáveis. Por achar que os objectivos que eu tenho para daqui a uns tempos, sentir que nunca vou conseguir alcançá-los, não sei.

PCV: Ou achas que talvez, porque quanto mais cresces, seja a que nível for, entendes que o sucesso traz conforto, mas o conforto nunca te vai trazer sucesso.

HT: Também. Ok. Talvez por aí. E eu sinto que quando estou demasiado confortável, já me começa a fazer um bocadinho de confusão.

PCV: E é chato, não é?

HT: É muito chato, sim. Ou seja, eu lido mal com o facto de estar demasiado confortável. E isso deixa-me muitas vezes… pode-me deixar em certas alturas, em certas ocasiões, um bocadinho… chateado, frustrado, sim.

PCV: Foi por isso que nós nos esforçámos tanto para-te atirar com água, fazer uma gincana nesta produção.

HT: Muito obrigada. Eu hoje fui muito feliz. Fiz uma coisa… Fora da caixa. Exatamente, saí da minha zona de conforto. Gostei do desafio. Perguntar em entrevista, se és feliz… acho que é uma pergunta que se faz muito pouco.

PCV: As poucas pessoas que recebem essa pergunta também não estão preparadas para responder. É uma pergunta difícil. E depois tem outra coisa, que é o responder algo politicamente correto, não é? Há muitas pessoas que nós vamos entrevistando e não é que elas sejam hipócritas, nada disso mas custa responder a verdade.

HT: Não é hipocrisia. É que a pessoa às vezes até se sente desconfortável secalhar também não quer abrir essa porta. Não quer dizer “Afinal eu chego a casa e… sabes que mais? não sou feliz.Tenho tudo, mas não sou feliz.”

Pode haver essa injustiça para quem está de fora e pensa “Ah, quer dizer, querias fazer rádio, agora fazes e agora não és feliz?” e depois o “Olha assim também eu, não é?”

Há esse julgamento de todos os lados. De cima, de baixo, de lado, de frente. Mas a verdade é que essa é uma pergunta realmente importante.

PCV: Mais importante ainda quando és tu que fazes a ti mesmo. E mais depressa que te esqueces de perguntar isso a ti mesmo do que os de fora.

HT: Do que os de fora, é verdade.

PCV: A entrevista fica por aqui…. Obrigada!

HT: Muito obrigada eu!

Fotografia Diogo Navy

Styling Gonçalo Valente

Grooming Mika Manaças

Agradecimentos à The Late Birds Lisbon @thelatebirdslisbon