
A ARCOlisboa regressa a Lisboa e a partir de 29 de Maio até 1 de Junho apresenta 83 galerias de 17 países representados.
Novamente na Cardoaria Nacional, a presença portuguesa representa 36% do total, com 30 galerias enquanto o segmento internacional está presente em 53, maioritariamente europeias, com Espanha Alemanha e Itália a ganhar destaque.
O Opening Space, o espaço reservado a galerias emergentes que resultam de um convite, tem este ano a curadoria de Sofia Lanusse e Diogo Pinto que selecionaram 18 espaços. Há ainda uma secção comissaria por Paula Nascimento e Igor Simões que se centra em galerias que representam artistas africanos e em questões relativas à diáspora. Podemos ainda encontrar um espaço dedicado a projetos a solo que este ano apresenta trabalhos de Karlo Andrei Ibarra, Amélie Esterházy, Diogo Pimentão e Justin Weiler
A propósito desta nova edição a Parq falou com a sua atual directora, Maribel Lopez

Como tem visto o desenvolvimento da ARCOlisboa?
Nestas oito edições, que representam já dez anos de história, temos visto uma feira que quase duplicou de dimensão, passando das 45 galerias da primeira edição para as 83 deste ano. Neste crescimento, a feira conseguiu acolher novas galerias portuguesas, espaços jovens fundados nestes anos, assim como galerias internacionais que abriram uma segunda sede nesta cidade apaixonante. Vimos ainda o surgimento de novas secções, pensadas para aprofundar investigações como a criação em África e a diáspora de artistas africanos. Assistimos ao nascimento de novas instituições na cidade e arredores, e, a partir da feira, criámos ligações para partilhar toda a riqueza das diversas abordagens à arte contemporânea que, progressivamente, vão surgindo e ganhando forma. Também vimos a cidade crescer com novos habitantes, com os quais nos temos vindo a aproximar para partilhar o universo da arte contemporânea. A própria cidade surpreende-nos a cada ano, impulsiona-nos a pensar novas ideias e é parte fundamental da identidade da feira.
Acha que ainda há margem para crescer?
É difícil, porque uma das particularidades da feira — e um dos elementos que lhe confere tanto carisma — é a sua localização na Cordoaria Nacional, e o edifício não permite, neste momento, expandir. Acreditamos que o tamanho atual da feira é adequado, pois oferece uma variedade de conteúdos e propostas de investigação a vários níveis, mas permite uma visita descontraída. É uma feira que pode ser apreciada com detalhe num único dia e, ao mesmo tempo, proporciona a experiência de desfrutar de um espaço maravilhoso que a acolhe.
Feiras de arte como a ARCO foram pensadas com base numa ideia de arte contemporânea global. Vê os tempos atuais com políticas restritivas à globalização como um problema para a existência da feira?
A ARCOlisboa é também especial por essa sua natureza. É uma feira aberta a ideias globais, mas com um foco no contexto ibérico em diálogo com outras abordagens. As restrições globais, sem dúvida, dificultam a livre circulação, que é essencial para a arte, pois as ideias precisam de circular.
E em relação aos colecionadores? Como tem sido o seu comportamento num mundo que agora parece estar a contrair-se?
Os colecionadores são pessoas extremamente apaixonadas, movidas por uma crença muito especial na importância da arte. Naturalmente, em momentos de incerteza, essa energia — quase uma alegria no ato de comprar — tende a retrair-se. No entanto, o compromisso com a arte, com as galerias e com os artistas é muito forte, e, dentro das suas possibilidades, continuam a apoiar com aquisições. A nossa missão, além disso, é conseguir sempre atrair novas pessoas, que talvez ainda não sejam colecionadores, mas cujas compras são muito importantes para as galerias e para os artistas.

ARCOlisboa 2025
Rua da Junqueira, Lisboa
sex.sab das 12h às 20h dom das 12h às 19h
Entrada 22€