texto de Hugo Pinto

Fotografia de Hugo Lima

No segundo dia do Primavera Sound Porto 2026 houve boas surpresas, a começar por Annahstasia no palco ZYN ao final de tarde. Tether, o seu disco do ano passado, recebeu ótimas críticas e os seus fans não ficaram desiludidos com o concerto. A californiana apresentou-se muito bem acompanhada com um trio de moças no contrabaixo, violoncelo e guitarra. Com a sua voz grave e o seu violão acústico, Annasthasia Enuke enfeitiçou quem a viu com um R&B tranquilo, num punhado de bons temas. A espaços fez-me lembrar os Junip de José Gonzales, o que é sempre muito boa referência. Um som honesto e despido de truques de produção foram o melhor modo de começar

Annasthasia no PRIMAVERA SOUND PORTO 2026
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Depois do concerto cancelado em Lisboa, foi com alguma expectativa que me dirigi ao palco Vodafone para o concerto de Panda Bear. Um quinteto com duas meninas nos teclados e demais maquinaria, um baixo elétrico, um baterista e Noah Benjamin Lennox na guitarra e voz. Para quem o acompanha desde o século passado, achei que a idade se nota no homem, mais que não seja a nível capilar. Ele goza de uma popularidade invulgar em Portugal, provavelmente por ter cá vivido durante uns anos, quando Lisboa ainda não era um destino favorito. A videoarte hipster, projetada atrás de si, colava bem com uma setlist que, embora promova o último álbum, não se esqueceu de revisitar os clássicos. Alguns com novos e frescos arranjos, outros quase impercetíveis.
Foi um bom concerto, mais metódico que nos primeiros anos, menos Indie e também menos free. Sem pausas para aplausos nem palavras de ocasião, foi sempre a abrir… Siga!

Panda Bear na PRIMAVERA SOUND PORTO 2026
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Depois de jantar esperava muito de Black Country, New Road, não só porque nunca tive oportunidade de os ver ao vivo, mas fundamentalmente porque Ants from Up There é um disco fundamental desta década. Entram em palco ao som dos Pilot, uma banda mais ou menos obscura de 74. O sexteto britânico deu, para mim, o melhor concerto deste segundo dia. Um dos motivos é o facto de serem todos ótimos multi-instrumentistas, com variações do mesmo músico entre piano e cordas, percussões e acordeão. Esta versatilidade dos músicos enriquece o som e transforma aquele rock num som complexo e simples ao mesmo tempo. É verdade que têm um toque de Genesis fase Foxtrot e que bebem da herança do post-rock de Chicago mas são muito mais que isso. Nos BCNR, as mulheres são quem mais ordena, a começar por Tyler Hyde e aquele modo clássico de tocar guitarra. Boas canções, todas em formato acústico, um saxofone a espaços chatinho, mas uma riqueza na composição que agrada quer à malta da pop, quer à malta do rock mais malternativo. Em termos de som ocorreu-me em vários momentos o Sufjan Stevens de Illinoise. O que diz bem da qualidade dos BCNR. Que belo concerto

Black Country, New Road,, no PRIMAVERA SOUND PORTO 2026
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A terminar a noite, os Gorillaz, de Damon Albarn e sus muchachos, com disco novo na berra. Muita gente em palco foi a primeira constatação, isto embora visse o concerto cá bem atrás devido aos milhares que já esperavam desde muito cedo. Em termos de imagem este espetáculo é uma superprodução cinematográfica, onde nem falta a clássica cortina vermelha, cheia de animações caríssimas e com clips vídeo dos muitos convidados a entrar no momento certo. A promoverem The Mountain, um álbum de inspiração indiana como é de tradição nas grandes bandas inglesas, os Gorillaz usaram e abusaram de tablas e símbolos hindus.
Nada foi deixado ao acaso.

Gorillaz, de Damon Albarn, no PRIMAVERA SOUND PORTO 2026
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E a música? É uma boa onda contagiante, entre clássicos e temas novos, tudo no lugar certo. Mos Def apareceu ao vivo e a cores, emuito ajudou à festa, acompanhado em vídeo por gente tão diferente como os Sparks, Omar Souleyman e Bobby Womack. Tudo muito moderno, tudo muito classy. São temas impecavelmente produzidos e hits para cantar refrões que todo o mundo conhece, enfim… Os Gorillaz confirmam-se como um dos mais excitantes projetos deste século.

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