Sangue Novo
texto por Patrícia César Vicente
fotografia por Tiago Serrano
Gabriel Silva Barros foi um dos finalistas do Concurso Sangue Novo promovido pela ModaLisboa a ser distinguido com o prémio IED Instituto Europeo di Design, que lhe permite frequentar um Master em Fashion Brand Management no IED de Florença no valor de 24.000 euros a que se junta uma bolsa de 4.000 euros. Quisemos saber mais sobre este jovem talento e desafiamos Tiago Serrano a criar um mini editorial a partir dos looks trazidos a concurso.

Como é que surgiu o design de Moda na tua vida?
O design de moda entrou na minha vida de forma algo natural, foi uma escolha minha. Cresci numa casa portuguesa, claro, mas não com ligação direta ao mundo da moda. Foi mais uma curiosidade interna que foi crescendo.Percebi cedo que a roupa não serve apenas para vestir, ela comunica, conta histórias, transporta-nos. Sou muito observador e amo imaginar os mundos de outras pessoas, só pelas suas escolhas de vestuário.
Mas isso, para mim, é o design. Um processo em que nos expomos constantemente, em que mostramos a nossa visão, a nossa sensibilidade, muitas vezes partes íntimas de quem somos. Trabalhamos com conceitos abstractos, com sentimentos que queremos traduzir em volumes. As vezes, são apenas referências soltas ou perspectivas pessoais e o verdadeiro desafio é dar corpo a tudo isto. Para não falar no investimento contínuo que nos designers fazemos.. com muita muita fé!
Mas, foi ainda no teatro que percebi que, por trás de cada espetáculo, existe um mundo de trabalho invisível, de muita dedicação. E é essa parte do processo, mesmo quando caótica e cruel as vezes, que me fascina. Pensar em desistir faz parte. Mas essa vontade, por mais real que seja, nunca superou o meu desejo de continuar. Porque, no fundo, fui eu que escolhi este caminho.

Mesmo sendo um mercado e meio competitivo e com poucas oportunidades o que te fez avançar?
Honestamente? Um misto de ingenuidade e teimosia criativa. Quando comecei, só tinha o sonho. Não pensei nas dificuldades. E talvez tenha sido isso que me permitiu avançar sem medo. Nāo é novidade, que o mundo da moda é competitivo e já definido há muitos anos. Há pouco espaço para se reinventar! É fácil sentirmo-nos pequenos ou perdidos. Mas, por vezes, uma simples mudança de perspectiva pode abrir novas oportunidades. Acho eu!
Sinto que já investi imenso tempo, energia e emoção nisto, que parar agora não faz sentido, mas ao mesmo tempo, sinto que ainda não nem comecei. Então continuo. Talvez seja ingenuidade, talvez fé. Vamos ver…Falamos daqui a cinco anos.

Se for para sonhar muito, muito alto, onde é que gostarias de chegar?
Gostava de criar algo meu. Um espaço onde pudesse continuar a explorar ideias, a editá-las mil e uma vez. Até um dia, que procurem as minhas peças pelo o que são. No fundo, é isto.

Qual a tua opinião sobre o Design Português, e a razão pela qual se conhece muito o made in Portugal mas não tanto o design?
Acho que tem muito a ver com o foco que a moda sempre teve em cidades como Londres, Paris, Nova Iorque e Milão. Crescemos com essa perceção, algo capitalista, de que a moda só vive nessas capitais.
Hoje, sinto que estamos numa fase em que começamos a valorizar mais a comunidade. Embora sempre tenha existido, talvez agora seja mais consciente. Talvez a “cortina” esteja a abrir-se um pouco mais. Ou talvez seja apenas a minha percepção.

Qual foi o melhor conselho que te deram?
Acho que muda constantemente, mas o que mais uso recentemente foi de um tutor, que em tom de brincadeira me disse: “Usa a tua boca grande”.Levei como; usa a tua voz, cria o teu espaço, diz o que tens a dizer e não tenhas medo de criar novas realidades.

fotografia por Tiago Serrano @tiagoserranoadc
styling Joana Ribeiro @joanaribeiro____ Lucas Luz @mynameislucasluz
make up Lucas Luz (@mynameislucasluz
modelo Ricardo Mutulov (@rikkimlov) da Elite Lisbon
Entrevista para parqmag.com/wp/pdf/PARQ_82.pdf