Texto por Hugo Pinto
Os BADBADNOTGOOD apresentaram o seu jazz no palco San Miguel ao fim da tarde. Estes canadianos, já com muitos anos disto, andam a apresentar o tríptico “Mid Spiral” do ano passado. Um disco chatinho no âmbito do cool jazz. O concerto foi o que esperava. Jazz e Hip-Hop com solos previsíveis de saxofone.

Tudo muito tranquilo, tudo muito seguro. A malta na assistência, claramente pouco habituada ao jazz mas muito ligada ao som deles, adorava e bamboleava o corpo. Já com muitas visitas a Portugal, os BBNG trouxeram ainda assim qualquer coisa de novo ao Kalorama e, com maior ou menor dose de energia, deixaram um concerto competente a quem assistiu.

No mesmo palco atuaram mais tarde os australianos Royel Ortiz. Fazem um indie pop levezinho e muito tranquilo. Despretensiosos q.b. fazem música para uma geração mais nova que os admira em modo efusivo.
A britânica Jorja Smith trouxe a sua new soul ao palco MEO. A primeira impressão é a estranheza de uma inglesa fazer um som tão americano. A segunda impressão é o choque entre o som sofisticado e classy e a atitude da moça, algo despido de todo o glamour que se esperava de uma potencial diva. (Não é snobismo da nossa parte, a Jorja Smith que veja a Roisin Murphy). De resto, bom concerto, a malta curtiu e no fim toda a gente saiu satisfeita.

Já a noite ía larga quando Branko abriu as hostilidades no palco San Miguel. Chegado da Expo Osaka há poucos dias, onde dizem deu um magnífico concerto, Branko atuava agora na sua cidade, para o seu público.
A Lisboa que o ama, não o desiludiu. Ao longo de pouco mais de uma hora, Branko meteu toda a gente a dançar com o seu kuduro progressivo. É uma mistura de música do mundo e “novas” tendências da dança que seduz e faz mexer.

Foram muitos temas clássicos com novas roupagens e a ajuda de Dino Santiago, em filme e voz, sempre anima. Os concertos de Branko continuam a ser excepcionais na parte de vídeo, algo fundamental na actualidade,
Ajuda e muito ter o João Gomes nos teclados, o seu bom gosto impregna quase tudo o que de melhor saiu da música portuguesa nos últimos 25 anos. Por fim, foi curioso ver o poder que aquele Wegue Wegue, dos saudosos Buraka Som Sistema, ainda tem.

De Damiano David confesso, sabia muito pouco. Sabia que ele era vocalista dos Maneskin e que com eles ganhou o festival da Eurovisão, que era italiano de gema e que se lançou num projecto a solo, certamente alicerçado na sua forte presença nas redes sociais.
Tem boa voz e a multidão desta noite sabia as músicas todas de cor. Muita gente nova claro e um rock clássico, a puxar à balada, quadrado e algo anos 80, ajudava a momentos de “intimidade” mais ou menos previsíveis.
Não é a minha praia mas isso pouco importa, o Kalorama 2025 fechou em apoteose com o público feminino a suspirar pelo ar bonito do rapazote.
Para o ano há mais.