{"id":3668,"date":"2021-09-16T17:03:52","date_gmt":"2021-09-16T17:03:52","guid":{"rendered":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?p=3668"},"modified":"2021-09-16T17:40:43","modified_gmt":"2021-09-16T17:40:43","slug":"o-lado-fiminista-da-street-art","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/o-lado-fiminista-da-street-art\/","title":{"rendered":"O lado feminista da Street Art"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Tamara Alves<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Texto de Francisco Vaz Fernandes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>No panorama da<\/strong> Street Art portuguesa<strong>, Tamara Alves \u00e9 um dos nome que n\u00e3o precisa de apresenta\u00e7\u00f5es, dada a const\u00e2ncia de encomendas e produ\u00e7\u00f5es em murais que foi realizando ao longo do pa\u00eds. A sua imag\u00e9tica tem-se completado em obras que realiza sobre papel ou tela e seja desenho ou pintura h\u00e1 uma persist\u00eancia para representa\u00e7\u00f5es femininas. Refere nesta entrevista que considera importante que sejam as mulheres a dar uma vis\u00e3o de si mesmas e tem pena de verificar que haja t\u00e3o poucas mulheres na street art. Na sua obra encontramos mulheres urbanas com almas de guerreiras que nos seus sonhos s\u00e3o igualmente lobas, o que no seu entender s\u00e3o apenas mulheres que seguem os seus instintos e que esse lado selvagem que procura, pouco tem a ver com uma ideia de agressividade. Olhando para as suas imagens nomeadamente as produzidas para a Galeria Municipal Alves Redol na Amadora, percebemos que as suas mulheres est\u00e3o sempre num limiar de um estado a outro: entre o sonho e o despertar, entre o urbano e a natureza, entre humano e o animal. No seu conjunto procuram desenhar o seu pr\u00f3prio destino.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>Como surgiu esse convite para fazeres um individual na Galeria Municipal de Arte Artur Bual, na Amadora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tamara Alves (TA) : O convite decorre ap\u00f3s v\u00e1rias pe\u00e7as realizadas para a Amadora. Inicialmente, tive um convite para pintar um pequeno quiosque inserido no festival <em>Poesia na Rua<\/em> organizado pela C\u00e2mara da Amadora. Eles gostaram e voltaram a convidar-me no ano seguinte propondo-me desta vez uma parede de grandes dimens\u00f5es. Foi ent\u00e3o que apareceu \u201cOphelia\u201d, dentro do contexto do mesmo festival. Logo, nessa altura, surgiu o convite de expor na Galeria o que acabou por acontecer s\u00f3 agora, mas depois de ter sido adiada repetidas vezes, dada a circunst\u00e2ncia da pandemia<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>A exposi\u00e7\u00e3o tem como t\u00edtulo -\u201dBut first, some rebellion\u201d , a refer\u00eancia \u00e0 rebeli\u00e3o tem aparecido v\u00e1rias vezes ao longo da tua obra. Que sentido d\u00e1s \u00e0 palavra?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, quando comecei a preparar as pe\u00e7as, tinha como ponto de partida a tal <em>Ophelia<\/em> que aparecia no mural, uma mulher que n\u00e3o \u00e9 submissa ao homem, nem \u00e0 sociedade em geral e que \u00e9 dona da sua hist\u00f3ria. Ou seja, o contr\u00e1rio da Ophelia que nos \u00e9 dada por Shakespeare. Contudo , porque a exposi\u00e7\u00e3o foi sendo adiada e tive tempo de ir olhando para o que j\u00e1 tinha terminado, comecei a produzir algumas mudan\u00e7as. Mantive uma certa melancolia nas personagens que comp\u00f5em a exposi\u00e7\u00e3o mas elas agora est\u00e3o prontas para a acordar. Mas acordar para o qu\u00ea? \u00c9 uma rebeli\u00e3o que pode ser silenciosa mas que pode despertar uma inquieta\u00e7\u00e3o no espetador, criar expectativas sobre o que vai acontecer. Ser\u00e1 que s\u00e3o fugitivas? S\u00e3o selvagens? S\u00e3o figuras femininas mas eu n\u00e3o descrimino relativamente ao g\u00e9nero. Tamb\u00e9m podem ser homens ou animais. Por isso o que prevalece nesta rebeli\u00e3o \u00e9 um sentimento de que h\u00e1 aqui qualquer coisa que est\u00e1 acontecer. Uma leve inquieta\u00e7\u00e3o ou um burburinho. Prefiro deixar estas hist\u00f3rias sempre em aberto<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:32px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"562\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/image.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3678\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/image.jpg 750w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/image-300x225.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/image-480x360.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Estas figuras s\u00e3o recorrentes. Elas v\u00e3o te contando hist\u00f3rias de uns anos para os outros?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA: Acho que s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es, come\u00e7aram em 2019 quando inaugurei uma exposi\u00e7\u00e3o na galeria Underdogs intitulada, \u201cWhen the rest of the world has gone to sleep\u201d. A hist\u00f3ria come\u00e7a pela noite, e as figuras que represento contam uma hist\u00f3ria: quando as luzes da cidade caem e todos se recolhem: amantes, lobos, que caminham descal\u00e7os pelo alcatr\u00e3o quente, esfomeados, uma hist\u00f3ria bastante urbana. S\u00e3o hist\u00f3rias que vou contando na minha cabe\u00e7a. Essa inquieta\u00e7\u00e3o e busca de sensa\u00e7\u00f5es fortes est\u00e3o na base deste imagin\u00e1rio, mas ao mesmo tempo conjugam-se com a calma e o sil\u00eancio na noite. H\u00e1 sempre amor nessas hist\u00f3rias, porque n\u00e3o gosto de contar hist\u00f3rias agressivas. Conto hist\u00f3rias com sensa\u00e7\u00f5es fortes mas positivas. \u00c9 verdade que vou repetindo algumas personagens mas, necessariamente v\u00e3o-se transformando ao longo do tempo, n\u00e3o s\u00e3o exatamente as mesmas. A pr\u00f3xima exposi\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vem a\u00ed, at\u00e9 poderia ser vista como uma continua\u00e7\u00e3o da que decorre na Amadora, mas desta vez d\u00e1-se uma esp\u00e9cie de catarse em que as pe\u00e7as v\u00e3o estar maioritariamente rasgadas. Contudo o rasgar surge mais como um processo de sedu\u00e7\u00e3o. Desta vez elas tamb\u00e9m refletem o facto de ter estado tanto tempo fechada na presen\u00e7a dessas personagens e da minha rela\u00e7\u00e3o com o processo de as compor e descompor no papel. \u00c8 como se essas hist\u00f3rias agora fossem flashes algo que me vinha \u00e0 mem\u00f3ria, incompletas.<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ :<strong>Voltando \u00e0 quest\u00e3o da rebeli\u00e3o, encontras essa rebeli\u00e3o na quest\u00e3o feminista que est\u00e1 associada \u00e0 tua obra e na street art?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA: Acho que o facto de ser mulher e de ter voz na rua tem de fazer de mim feminista. H\u00e1 10 anos tinha mais a provar do que tenho agora, porque a street art era um movimento ainda muito ligado ao graffiti e tu n\u00e3o supunhas que uma mulher pudesse andar a saltar muros e a pintar as casas de toda a gente. Hoje as circunst\u00e2ncias s\u00e3o outras, at\u00e9 porque as pessoas que querem ir para a rua pintar em grande escala podem vir das Belas-Artes, t\u00eam um percurso acad\u00e9mico e n\u00e3o est\u00e3o diretamente ligadas ao grafitti. Relativamente ao feminismo acho que as minhas mulheres mudam a forma como n\u00f3s somos representadas no mundo da arte. Interrompem ideais masculinos que impunham um tipo de n\u00fas, representando com mulheres estendidas nas camas ou sentadas no sof\u00e1, submissas ao olhar do homem e espetador. Gosto que as minhas mulheres sejam donas da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. A balan\u00e7a esteve sempre desequilibrada e procuro de alguma forma participar nesse equil\u00edbrio necess\u00e1rio para os dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Tamara_Alves-22_2048x2048.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3679\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Tamara_Alves-22_2048x2048.jpg 800w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Tamara_Alves-22_2048x2048-300x200.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Tamara_Alves-22_2048x2048-768x512.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Tamara_Alves-22_2048x2048-600x400.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Tamara_Alves-22_2048x2048-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>Porque achas que h\u00e1 t\u00e3o poucas mulheres na steet art?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA: J\u00e1 pensei muito sobre isto. Acho que tem mesmo a ver como a sociedade se organiza, como somos educados e que pap\u00e9is nos s\u00e3o designados. Imagino que muitas mulheres achem que a street art n\u00e3o seja para elas e acredito que h\u00e1 realmente algo a fazer neste campo. Eu fui educada de forma a que o meu g\u00e9nero n\u00e3o me impusesse limites e por isso achei que seria capaz de fazer qualquer coisa. Contudo tenho a no\u00e7\u00e3o que est\u00e1 estabelecido que uma mulher n\u00e3o deve andar a saltar muros ou pela noite a pintar paredes, ou ligada a qualquer tipo de trabalho designado \u201cmasculino\u201d Estas ideias ainda pesam muito nas mentalidades gerais. H\u00e1 que fazer uma mudan\u00e7a gigantesca de mentalidades antes de chegarmos aqui e ter muitas mais mulheres na street art<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>Mulheres nas artes pl\u00e1sticas at\u00e9 h\u00e1 muitas e foi crescente em todo o s\u00e9culo XX, mas se calhar est\u00e3o ainda restritas ao espa\u00e7o interior.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA: H\u00e1 muitas sim, mas por exemplo, em \u00e1reas como a da escultura penso que seriam ainda menos porque \u00e9 uma t\u00e9cnica que est\u00e1 associada a um trabalho duro, masculino, especialmente se estamos a falar em trabalhar em pedra ou em grande escala. Mas seriamente vejo isso como limita\u00e7\u00f5es que est\u00e3o intr\u00ednsecas numa sociedade tipicamente condescendente machista que nos retira dessas posi\u00e7\u00f5es e que nos faz acreditar que n\u00e3o seremos capazes de carregar uma pedra subir a um anda\u00edme e por ai&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ: <strong>E tu lembras-te quando foi a primeira vez que tiveste que te debater com a grande escala . Lembras-te das emo\u00e7\u00f5es desse dia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA : Primeiro que tudo lembro-me das vertigens. Eu tenho muitas vertigens e ao longo dos tempos fui apenas conseguindo controlar essa fobia, lutando contra mim pr\u00f3pria, isso para perceberes at\u00e9 onde vai o meu amor por aquilo que fa\u00e7o. Em cada parede que come\u00e7o tenho sempre um per\u00edodo de habitua\u00e7\u00e3o porque as vertigens continuam l\u00e1, s\u00f3 v\u00e3o ficando mais f\u00e1ceis de lidar. Mesmo agora, na \u00faltima parede que eu fiz, aos 13 metros de altura, l\u00e1 no topo, n\u00e3o deixei de ter as pernas a tremer e sentir o corpo a paralisar. Preciso de voltar a descer para voltar a subir. \u00c9 como se estivesse constantemente a desafiar-me, nunca \u00e9 f\u00e1cil. Lembro-me de estar a pintar uma parede com 4 metros de altura no Plano B em 2010, antes de vir para Lisboa e s\u00f3 o facto de subir 3 degraus num escadote me perturbava. Por isso foi um longo caminho at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"565\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ilustracao_Sem_Titulo-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3676\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ilustracao_Sem_Titulo-6.jpg 800w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ilustracao_Sem_Titulo-6-300x212.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ilustracao_Sem_Titulo-6-768x542.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ilustracao_Sem_Titulo-6-480x339.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>Tu quando est\u00e1s a pintar os teus grandes murais, tens a ajuda de algu\u00e9m \u00e9 um trabalho muito solit\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA: Toda a gente me diz que devia pedir ajuda, porque quanto maior \u00e9 a parede, maior o n\u00edvel de dificuldade. Se for necess\u00e1rio sei que tenho com quem possa contar, mas habituei-me a trabalhar sozinha e passou a ser algo que fa\u00e7o naturalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>Uma das figuras recorrentes no teu trabalho s\u00e3o os animais selvagens, estou at\u00e9 a lembrar-me daquele lobo sobre um carro que fizeste para a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Festival Iminente. Como \u00e9 que surgem esses animais e se relacionam com o universo urbano?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA : H\u00e1 muito tempo atr\u00e1s quando comecei a definir mais o meu trabalho, que \u00e9 muito figurativo e onde dou relevo ao retrato comecei tamb\u00e9m a juntar influ\u00eancias do universo das tatuagens e comecei quase espontaneamente a desenhar tigres e a estudar ao mesmo tempo o significado deles. Passava tudo por um processo de definir a minha mensagem enquanto artista. Esta ideia de equival\u00eancia de igualdade entre o homem e o animal ganhava rumo no meu pensamento. Se nos aceitarmos como seres animais, tudo se torna mais f\u00e1cil relativamente a respeitar o pr\u00f3ximo, sem desigualdades de g\u00e9nero, ra\u00e7a, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei a incluir animais nas minhas pinturas para criar met\u00e1foras para estes instintos que existem em n\u00f3s mas est\u00e3o reprimidos talvez pela rotina do dia a dia. Comer quando temos fome, fazer amor, chorar quando temos vontade, parece f\u00e1cil sermos honestos com o nosso corpo mas \u00e9 mais dif\u00edcil que aparenta. Um rugido de um tigre quando estamos frustrados ou um uivo de um lobo por sentirmos a falta de um ente querido, \u00e9 algo com que todos n\u00f3s nos conseguimos identificar.<\/p>\n\n\n\n<p>No desenvolvimento do trabalho o lobo passou a ser prevalecente, porque \u00e9 um animal que nos \u00e9 mais familiar, tamb\u00e9m porque sendo um animal solit\u00e1rio tamb\u00e9m n\u00e3o sobrevive sem a sua matilha. Nessa altura lia igualmente um livro feminista , mulheres que correm com lobos, que tamb\u00e9m ajudou a consolidar esse imagin\u00e1rio de forma muito instintiva.<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>Achas que o teu trabalho \u00e9 algo mais instintivo ou algo mais pensado? Como foi evoluindo ao longo dos tempos esta quest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA : Quando penso no meu trabalho fico sempre muito inquieta, sinto um desassossego e esse fogo tem que sair eventualmete. Mas sou uma pessoa que pondera muito o que vai fazer, demoro mais tempo a pensar no significado do que na execu\u00e7\u00e3o. Leio, vou procurando significado na poesia, para ver se consigo formar imagens na minha cabe\u00e7a e s\u00f3 a partir da\u00ed resolvo materializar no papel. Ou seja demoro mais tempo a encontrar o conceito do que a executa-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>O desenho flui muito mais facilmente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA : Sim flui, mas eu preciso de explicar as imagens que crio para mim, o que torna o processo menos imediato.<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>E que leituras te est\u00e3o a influenciar no momento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA : Esta exposi\u00e7\u00e3o que estou a preparar agora para a Underdogs, surgiu por exemplo da leitura de Al Berto um poeta que gosto de revisitar. Ele tem uma compila\u00e7\u00e3o que se chama \u201cUma Exist\u00eancia de Papel\u201d, onde fala do papel, da escrita e da folha e de como n\u00e3o h\u00e1 fonteiras entre isso e o corpo. Achei interessante refletir sobre isso porque era o que estava a procurar transmitir neste momento. O facto de trabalhar na rua, o car\u00e1cter ef\u00e9mero e a ideia de abandono tornam-se ideias fortes em toda a equa\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o. Agora estou a rasgar parte dos meus desenhos e sinto nisso uma liga\u00e7\u00e3o muito directa com essas palavras do Al berto, com o facto de rasgar o papel, a materialidade desse corpo e todo o lado ef\u00e9mero.<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>Podes dar uma antevis\u00e3o do tua exposi\u00e7\u00e3o na Underdogs?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA : Desta vez vai ser diferente, porque eles convidaram-me para expor na Capsula E vou encarar a capsula como um espa\u00e7o mais \u00edntimo e prop\u00edcio para uma instala\u00e7\u00e3o. Como referi aparecem pinturas rasgadas. Gosto de trabalhar com essa ideia de fragilidade da aguarela que est\u00e1 na base destes trabalhos que ao serem rasgados ou pintados de negro conferem algo mais r\u00edgido na sua impress\u00e3o geral<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>Tens muitos colecionadores , gostas de conhecer os teus colecionadores?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA: N\u00e3o conhe\u00e7o todos, mas em geral gosto de os conhecer, saber que tipo de pessoas s\u00e3o, gosto da rela\u00e7\u00e3o que se possa proporcionar. Para al\u00e9m do trabalho na rua sempre tive um trabalho para pequenos formatos, mais adequado a uma galeria. Um artista faz de tudo um pouco, \u00e9 claro. Ter por detr\u00e1s uma estrutura com a Galeria Underdogs facilita muito, s\u00e3o uma equipa incr\u00edvel. Isso liberta-me para fazer outras coisas<\/p>\n\n\n\n<p>PARQ : <strong>Tamb\u00e9m recebes encomendas privadas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TA: Pe\u00e7as comissionadas? Sim, desde pe\u00e7as para casas privadas ou hot\u00e9is, etc.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"638\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/We-Can-Be-Heroes-Festival-Infinito-2018-Cascais.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3677\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/We-Can-Be-Heroes-Festival-Infinito-2018-Cascais.jpg 640w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/We-Can-Be-Heroes-Festival-Infinito-2018-Cascais-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/We-Can-Be-Heroes-Festival-Infinito-2018-Cascais-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/We-Can-Be-Heroes-Festival-Infinito-2018-Cascais-480x479.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Legendas<\/p>\n\n\n\n<p>1 \u201c But first, some rebellion\u201d, 2021, pintura, Galeria Municipal Alves Redol, Amadora<\/p>\n\n\n\n<p>2 \u201cuntil you and I died, and died and died again, 2020, Festival Iminente, Monsanto, Lisboa<\/p>\n\n\n\n<p>3 \u201c<em>When the Rest of the World Has Gone to Sleep<\/em> , 2020 Underdogs, Lisboa<\/p>\n\n\n\n<p>4 \u201cAnimal\u201d, 2019, Mural Miradouro Panor\u00e2mico de Monsanto, Lisboa<\/p>\n\n\n\n<p>5 &#8220;OPHELIA&#8221; Conversas na Rua 2019, Mural, Amadora&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>6 \u201cWe Are The Flowers, 2021, Mural, Bairro do Esteval, Montijo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3669,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","footnotes":""},"categories":[12],"tags":[2005,2006,1301,146,517,1238],"class_list":["post-3668","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte","tag-galeria-municipal-de-arte-artur-bual","tag-grafitti","tag-portuguese-street-art","tag-street-art","tag-tamara-alves","tag-underdogs-gallery"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3668","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3668"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3668\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3680,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3668\/revisions\/3680"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3668"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3668"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3668"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}