{"id":2876,"date":"2021-03-24T15:21:30","date_gmt":"2021-03-24T15:21:30","guid":{"rendered":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?p=2876"},"modified":"2021-03-24T15:31:46","modified_gmt":"2021-03-24T15:31:46","slug":"julio-dolbeth","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/julio-dolbeth\/","title":{"rendered":"J\u00falio Dolbeth"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>P\u00f3s &#8211; Da<\/strong>ma<\/p>\n\n\n\n<p><strong>texto de In\u00eas Monteiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde pequeno que <a href=\"http:\/\/juliodolbeth\" data-type=\"URL\" data-id=\"juliodolbeth\">J\u00falio Dolbeth<\/a> tem o desenho muito presente na sua vida. Artista, ilustrador e professor, foi co-fundador da galeria e associa\u00e7\u00e3o cultural<a href=\"http:\/\/damaaflita\" data-type=\"URL\" data-id=\"damaaflita\"> Dama Aflita<\/a>, no Porto, um espa\u00e7o pioneiro em Portugal na exposi\u00e7\u00e3o e venda de trabalhos de ilustra\u00e7\u00e3o, que al\u00e9m de ter trazido nomes relevantes do circuito global, conseguiu tamb\u00e9m chamar a aten\u00e7\u00e3o para os talentos nacionais, abrindo mais possibilidades de os fazer circular internacionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>De rostos aleat\u00f3rios ao rosto de amigos, faces nunca antes imaginadas e propor\u00e7\u00f5es desproporcionadas,<strong> J\u00falio Dolbeth <\/strong>fez da ilustra\u00e7\u00e3o a sua melhor amiga e companheira de vida. Angola foi a terra que o viu nascer, mas \u00e9 no Porto que vive e trabalha traduzindo o amor que sente pela ilustra\u00e7\u00e3o em exposi\u00e7\u00f5es e galerias. Mais do que uma arte, o desenho tornou-se numa l\u00edngua, num modo de comunica\u00e7\u00e3o e uma forma de passar para o exterior o mundo interior. A gentrifica\u00e7\u00e3o obrigou a galeria a fechar mas o amor pela ilustra\u00e7\u00e3o continua muito presente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020_DOLBETH_PHOTO.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2877\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020_DOLBETH_PHOTO.jpg 1000w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020_DOLBETH_PHOTO-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020_DOLBETH_PHOTO-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020_DOLBETH_PHOTO-768x768.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020_DOLBETH_PHOTO-600x600.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020_DOLBETH_PHOTO-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:35px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Frequentaste o curso de Design de Comunica\u00e7\u00e3o na escola de Belas Artes da Universidade do Porto onde hoje lecionas. Quando \u00e9 que a ilustra\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a chamar a tua aten\u00e7\u00e3o e se tornou uma pr\u00e1tica mais regular?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando estudei na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, existia uma partilha muito grande entre o <em>design<\/em> e as artes pl\u00e1sticas, o que sempre me fascinou. Participava nas aulas de pintura e sempre senti que era naquele lugar que me sentia mais confort\u00e1vel. O <em>design<\/em> conquistou-me atrav\u00e9s do desenho, mesmo que na altura n\u00e3o tivesse grande consci\u00eancia das possibilidades todas dos territ\u00f3rios da ilustra\u00e7\u00e3o. Percebi que seria por aquele caminho que mais gostava de comunicar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E quando \u00e9 que o <\/strong><em><strong>design<\/strong><\/em><strong> gr\u00e1fico ficou arrumado de lado, se ficou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim ficou, de certa maneira comecei progressivamente a deixar de aceitar trabalhos de <em>design<\/em>. Fiz algumas coisas pontuais, na maioria colabora\u00e7\u00f5es. Penso que as \u00faltimas coisas que fiz com mais visibilidade foi o <em>design<\/em> da galeria Dama Aflita, que fundei com a L\u00edgia Guedes e o Rui Vitorino Santos em 2008.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"707\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019_IAMYOU_A4-copy.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2878\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019_IAMYOU_A4-copy.jpg 707w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019_IAMYOU_A4-copy-212x300.jpg 212w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019_IAMYOU_A4-copy-480x679.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 707px) 100vw, 707px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Sentes que o teu passado como <\/strong><em><strong>designer<\/strong><\/em><strong> gr\u00e1fico \u00e9 uma mais-valia para a ilustra\u00e7\u00e3o que fazes atualmente? Encontras no desenho atual algo que liga com o passado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <em>design<\/em> ensinou-me a ser mais organizado, a pensar em composi\u00e7\u00e3o de forma mais depurada. Acho que sempre me expressei atrav\u00e9s do desenho numa abordagem mais impulsiva e emotiva, enquanto no <em>design<\/em> aprendi a organizar esses impulsos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desenhar sempre foi para algo natural, uma faculdade inata ou algo que foste cultivando ao longo do tempo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que a aptid\u00e3o nunca \u00e9 inata, mas vai-se construindo com o trabalho. J\u00e1 a sensibilidade sempre a tive, sempre desenhei muito. Olhando retrospetivamente lembro-me de aperceber em mi\u00fado da frustra\u00e7\u00e3o de n\u00e3o conseguir desenhar o que via, cresci com esta perspetiva realista das coisas. Essa frustra\u00e7\u00e3o talvez tenha sido o maior alicerce para a pr\u00e1tica do desenho, perceber que n\u00e3o sou realista, mas sustentar a pr\u00e1tica pela tentativa e erro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"698\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019_DOLBETH_DANGEROUS-copy.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2879\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019_DOLBETH_DANGEROUS-copy.jpg 698w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019_DOLBETH_DANGEROUS-copy-209x300.jpg 209w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019_DOLBETH_DANGEROUS-copy-480x688.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 698px) 100vw, 698px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Quais eram as tuas grandes influ\u00eancias inicialmente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Edward Hopper, David Hockney, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Batarda, \u00c1lvaro Lapa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E atualmente, quem que veneras?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tantos que \u00e9 dif\u00edcil escolher. Kiki Smith, Kara Walker ou Raymond Lemstra s\u00e3o os que continuam no topo da minha lista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ilustra\u00e7\u00e3o tem vindo a ganhar cada vez mais visibilidade, atualmente j\u00e1 tem um estatuto de arte, \u00e9 colecion\u00e1vel e os ilustradores acabaram por ganhar uma reputa\u00e7\u00e3o que at\u00e9 agora n\u00e3o tinham. Como v\u00eas essa altera\u00e7\u00e3o de estatuto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que j\u00e1 estava na altura de isso acontecer. A ilustra\u00e7\u00e3o era considerada uma arte aplicada ou arte menor, o que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 injusto, como tamb\u00e9m elitista. Hoje em dia a ilustra\u00e7\u00e3o tornou-se mais vis\u00edvel, em grande parte por uma nova gera\u00e7\u00e3o de artistas que contribuem para o seu reconhecimento. Fico feliz ao ver originais de autores que gosto em galerias ou nas paredes da minha casa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"773\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/spleen_dolbeth_4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2885\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/spleen_dolbeth_4.jpg 640w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/spleen_dolbeth_4-248x300.jpg 248w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/spleen_dolbeth_4-480x580.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:29px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>E em Portugal achas que est\u00e1 a acontecer o mesmo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, sinto que existe uma comunidade muito forte e em crescimento de ilustradores em Portugal. Com a Dama Aflita senti que t\u00ednhamos um p\u00fablico informado e curioso que com grande generosidade e alento alimentou o nosso projeto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No teu caso, o que sentes que foi fundamental para que o teu trabalho ganhasse maior notoriedade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que o mais importante foi ter reconhecimento pelos meus pares. Come\u00e7ar a ser convidado para participar em mostras e exposi\u00e7\u00f5es coletivas, principalmente com tantos ilustradores que admiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em que medida a galeria que abriste no Porto foi fulcral para a divulga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 do teu trabalho, como o de muitos outros nomes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que a galeria contribuiu para divulga\u00e7\u00e3o da ilustra\u00e7\u00e3o, senti que t\u00ednhamos um p\u00fablico que foi crescendo de exposi\u00e7\u00e3o para exposi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 existiam outros projetos semelhantes, mas penso que como espa\u00e7o de galeria exclusivamente dedicado a esta \u00e1rea, fomos pioneiros. Sinto que deu for\u00e7a a outros projetos que surgiram a seguir numa estrat\u00e9gia de comunidade. Uma das defini\u00e7\u00f5es mais presentes que tenho da ilustra\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9 a palavra comunidade e acrescento ainda partilha e generosidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"597\" height=\"900\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/captura-de-ecra-2019-12-19-a-s-14-49-00_orig.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2881\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/captura-de-ecra-2019-12-19-a-s-14-49-00_orig.png 597w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/captura-de-ecra-2019-12-19-a-s-14-49-00_orig-199x300.png 199w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/captura-de-ecra-2019-12-19-a-s-14-49-00_orig-480x724.png 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:32px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>E perante o sucesso que foi a Dama Aflita, porque tiveram de fechar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Dama Aflita foi v\u00edtima da gentrifica\u00e7\u00e3o. Abrimos uma galeria numa rua do Porto s\u00f3 com lojas de madeiras e m\u00f3veis, o que no in\u00edcio nos levou a uma narrativa de bairro muito interessante. Claro que a baixa do Porto iria rebentar, era um diamante em bruto por lapidar. Em qualquer cidade europeia, o centro \u00e9 o s\u00edtio onde tudo acontece e o centro do Porto estava adormecido h\u00e1 anos. Assistimos \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da rua e das lojas a fechar para dar origem a bares e restaurantes. De certa maneira, seria uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 irmos \u201ccantar para outras freguesias\u201d e dar lugar a com\u00e9rcios mais lucrativos. Provavelmente a rua podia ter crescido noutro sentido, a parceria que t\u00ednhamos com a loja Mat\u00e9ria Prima era um casamento perfeito: ilustra\u00e7\u00e3o e m\u00fasica com edi\u00e7\u00f5es independentes, o que poder\u00edamos querer mais?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hoje em dia, ainda faria sentido come\u00e7ar um projeto como a Dama Aflita ou divulgarias o teu trabalho nas redes sociais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Dama Aflita faz sempre sentido. O projeto tinha como objetivo divulgar o trabalho de artistas e ilustradores, mas acima de tudo proporcionar uma tela em branco para experimentar. Interessava-nos diluir as fronteiras convencionais da defini\u00e7\u00e3o de ilustra\u00e7\u00e3o, e isso aconteceu com muitos projetos desenvolvidos para aquele espa\u00e7o. Cri\u00e1mos uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es que ganharam for\u00e7a pela proximidade, como a Dama Talks, onde convid\u00e1vamos os autores a falar sobre o seu trabalho, promovemos <em>workshops<\/em>, concertos, etc. No fundo, interessava-me a ideia da ilustra\u00e7\u00e3o pela sua componente transversal a v\u00e1rios comportamentos ou narrativas. Gary Baseman, numa entrevista referiu que o seu trabalho se definia como Pervasive Art, um trabalho que pode habitar m\u00faltiplas ocorr\u00eancias desde a <em>street art<\/em>, a escultura, o v\u00eddeo, entre outros. \u00c9 assim que vejo a ilustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"655\" height=\"900\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019-dolbeth-friend_orig.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2882\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019-dolbeth-friend_orig.jpg 655w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019-dolbeth-friend_orig-218x300.jpg 218w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019-dolbeth-friend_orig-480x660.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:36px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>As redes sociais foram fundamentais para a internacionaliza\u00e7\u00e3o do teu trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que sim, contribu\u00edram para compreender e conhecer as pessoas que gostam do meu trabalho. De certa forma, ampliam o alcance sem intermedi\u00e1rios, sinto que as pessoas que me seguem nas redes, gostam daquilo que fa\u00e7o e isso s\u00f3 por si j\u00e1 \u00e9 muito bom para continuar a fazer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Muito do que desenhas s\u00e3o refer\u00eancias a ti e ao teu universo. Como \u00e9 que surgem as tem\u00e1ticas que vais desenvolvendo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 exatamente isso, o meu universo. Mesmo que na maior parte das vezes ficcionado. Neste momento tenho muito a pr\u00e1tica a desenhar amigos ou pessoas que gosto, por vezes sou o chato dos jantares que vem com o caderno atr\u00e1s. Gosto muito destes resultados, muito espont\u00e2neos, divertidos, muitas vezes volto a eles e refa\u00e7o-os ou edito digitalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como descreverias a tua gera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que a minha gera\u00e7\u00e3o \u00e9 batalhadora, sinto-me rodeado de pessoas que v\u00e3o \u00e0 luta e trabalham pelos seus ideais. Claro que chega a um momento da vida em que a utopia come\u00e7a a dar lugar a quest\u00f5es mais pr\u00e1ticas de sobreviv\u00eancia. De certa maneira, aprendi a n\u00e3o cruzar os bra\u00e7os e investir naquilo que me apaixona, como foi o exemplo da Dama Aflita.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"615\" height=\"800\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019-dolbeth-identidades-final-copy_orig.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2883\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019-dolbeth-identidades-final-copy_orig.jpg 615w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019-dolbeth-identidades-final-copy_orig-231x300.jpg 231w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2019-dolbeth-identidades-final-copy_orig-480x624.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 615px) 100vw, 615px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Relativamente \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras, em que posi\u00e7\u00e3o te colocas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 estranho mas ainda n\u00e3o sinto muito o fosso geracional, sinto que pode chegar o momento em que serei o <em>boomer<\/em> da festa, mas para j\u00e1 acho que ainda consigo comunicar com os meus pares mais novos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O teu trabalho tamb\u00e9m tem sofrido altera\u00e7\u00f5es no que toca ao estilo. Hoje em dia o l\u00e1pis e mesmo a pintura tem aparecido com mais regularidade, como foi esse processo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante muito tempo era quase s\u00f3 o l\u00e1pis ou o digital. Acho que se devia a uma quest\u00e3o de pr\u00e1tica, trabalhava na minha mesa e pronto. Por vezes, espalhava desenhos pela sala de jantar e ficava com a casa intransit\u00e1vel durante v\u00e1rios dias. Com a conclus\u00e3o do doutoramento aluguei um <em>atelier<\/em> partilhado com outros ilustradores e artistas e consegui dedicar-me mais \u00e0 pintura e outros materiais. Com o confinamento voltei um pouco ao l\u00e1pis e essencialmente ao digital.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No teu caso, a l\u00f3gica de exposi\u00e7\u00e3o alterou a perce\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de um trabalho ilustrativo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez me enquadre neste mar de possibilidades onde a ilustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja apenas editorial. Na minha opini\u00e3o a ilustra\u00e7\u00e3o anda de m\u00e3o dada com a narrativa, depois pode-se materializar num livro, num cartaz, num emoji, num prato ou num desenho exposto numa parede.<\/p>\n\n\n\n<p>texto de In\u00eas Monteiro para Parq #69 Mar\u00e7o 2021 <a href=\"https:\/\/www.parqmag.com\/pdf\/PARQ_69.pdf\">PARQ_69.pdf (parqmag.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/julio-dolbeth-1-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2884\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/julio-dolbeth-1-724x1024.jpg 724w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/julio-dolbeth-1-212x300.jpg 212w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/julio-dolbeth-1-768x1086.jpg 768w, 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