{"id":2476,"date":"2021-01-12T14:16:17","date_gmt":"2021-01-12T14:16:17","guid":{"rendered":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?p=2476"},"modified":"2021-01-12T17:52:56","modified_gmt":"2021-01-12T17:52:56","slug":"denis-hickel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/denis-hickel\/","title":{"rendered":"Denis Hickel"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Pensar a Horta, tal como o mundo, de forma mais sustent\u00e1vel<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>A partir da horta da sua casa, em <strong>Torres Novas, Denis Hickel<\/strong> pensa o mundo. H\u00e1 16 anos radicado em Portugal, o arquitecto brasileiro procura repensar os grandes desafios mundiais a partir das suas pr\u00e1ticas hort\u00edcolas, pensando em esquemas para uma maior sustentabilidade do nosso planeta. O novo rural, como se intitula, passou a ser o arquitecto que pode desenhar o mundo a partir de uma gota de \u00e1gua. Espera que muitas gostas se juntem fa\u00e7am uma corrente para encher rios e mares, ao qual todos somos chamados para que alguma coisa mude. Tomamos o percurso de <strong>Denis Hickel<\/strong> como um exemplo a seguir. Preparados?<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"800\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1-Denis-Hickel.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2478\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1-Denis-Hickel.jpg 800w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1-Denis-Hickel-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1-Denis-Hickel-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1-Denis-Hickel-768x768.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1-Denis-Hickel-600x600.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1-Denis-Hickel-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Denis Hickel<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Tem uma forma\u00e7\u00e3o e obra na \u00e1rea da arquitetura, quando come\u00e7ou o seu interesse pela agricultura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O meu interesse pela agricultura, come\u00e7ou de forma gradual, quando ainda vivia em Lisboa, onde tinha um atelier de arquitetura na Vila Sousa, um espa\u00e7o partilhado, onde existia um grupo de estudo dedicado aos desafios da sustentabilidade em meio urbano. Um dos temas desenvolvidos que me despertaram mais interesse foram as hortas urbanas. Comecei depois a ganhar um maior suporte te\u00f3rico, porque o meu doutoramento na \u00e1rea do design levou-me a entrar em contacto com a<em> <strong>Permacultura<\/strong><\/em> e outras filosofias ligadas \u00e0 ecologia e produ\u00e7\u00e3o alimentar alternativa. Isso tudo era complementado com um passado no campo junto dos meus av\u00f3s no Brasil, Tudo come\u00e7ou a ganhar forma quando sa\u00edmos de Lisboa e fomos viver para Torres Novas, onde adquiri um terreno que tinha como objetivo inicial fazer uma horta para a fam\u00edlia. A partir da\u00ed fomo-nos ligando cada vez mais \u00e0 terra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas quando chegaram a Torres Novas, a ideia era colocar o projeto de arquitetura em stand by?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, a arquitetura foi acontecendo a partir de Torres Novas, n\u00e3o porque mantivesse um atelier, mas porque os clientes antigos ou alguns novos, locais foram-me pedindo projetos. Mas, paralelamente, estava a investir mais no tema agr\u00edcola e decidimos fazer um programa jovem agricultor, voltado para as abelhas. Neste processo de estar na terra passamos a desenvolver hort\u00edcolas para fora. Primeiro, para o mercado de Torres Novas, depois introduzimos um programa de cabazes semanais, que \u00e9 o que temos at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-alecrim-2-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2480\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-alecrim-2-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-alecrim-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-alecrim-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-alecrim-2-768x768.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-alecrim-2-600x600.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-alecrim-2-480x480.jpg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-alecrim-2.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Quinta do Alecrim, Torres Novas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:47px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>E o que representa para si ser jovem agricultor em Portugal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muitas dimens\u00f5es para a designa\u00e7\u00e3o jovem agricultor. Uma est\u00e1 ligada \u00e0queles que procuram fundos europeus para instalar um projeto na \u00e1rea. Em geral s\u00e3o pessoas que j\u00e1 tinham propriedades ou neg\u00f3cios de fam\u00edlias. Em dez anos de atividade no meio agr\u00edcola conheci muito poucos que, como n\u00f3s, estivessem a come\u00e7ar do zero. Por isso, n\u00f3s, mais que jovens agricultores, somos na verdade novos rurais, pessoas urbanas com um projeto no universo rural.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E voc\u00eas, os <\/strong><strong>novos<\/strong><strong> rurais, estando ou n\u00e3o ligados \u00e0 agricultura, t\u00eam alguma rede ou ideia de comunidade que os mantenha ligados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe. O nosso elo de rela\u00e7\u00e3o estabelece-se a partir da nossa proposta de agricultura, \u00c9 um projeto bastante conhecido nacionalmente no contexto da <strong>agricultura biol\u00f3gica, permacultura<\/strong>, etc. por causa do nosso trabalho para desenvolver a agricultura de proximidade. N\u00f3s criamos uma rede de colabora\u00e7\u00e3o com outros pequenos produtores certificados que nos garantem os produtos que n\u00e3o temos aqui para garantir a quantidade e diversidade. Por exemplo, n\u00f3s produzimos hort\u00edcolas mas vamos buscar a fruta a um produtor do oeste que pertence \u00e0 nossa rede. O produto sai da nossa horta, ou de um raio pequeno de a\u00e7\u00e3o, diretamente para o consumidor, sem intermedi\u00e1rios. Antes da pandemia que nos afeta hoje, tamb\u00e9m costum\u00e1vamos promover cursos e dias abertos aqui na quinta o que nos aproximava ainda mais da nossa comunidade, n\u00e3o s\u00f3 dos consumidores, mas tamb\u00e9m dos que vinham para ver o que faz\u00edamos aqui.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-Alecrim-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2481\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-Alecrim-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-Alecrim-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-Alecrim-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-Alecrim-768x768.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-Alecrim-600x600.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-Alecrim-480x480.jpg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-quinta-do-Alecrim.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Quinta do Alecrim,  Torres Novas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:48px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Nestes dez anos de desenvolvimento de projeto, quais foram as fases essenciais para que pudesse acontecer?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, as novas oportunidades de conhecimento que despertaram no processo do meu doutoramento. As redes de contato estabelecidas com todo um universo de pessoas ligadas ao questionamento do status quo, ao universo da agroecologia, a aprendizagem com outros agricultores e uma conex\u00e3o com um pouco de tudo que vai acontecendo pelo mundo nesta \u00e1rea dos circuitos alimentares alternativos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do design n\u00e3o tinha a ver com a agricultura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o. Na verdade era uma forma\u00e7\u00e3o que tinha mais a ver com os processos criativos do design, aquilo que se chama o design co-criativo. Ou seja, onde o design \u00e9 um processo criativo envolvendo outras pessoas vindas de outros contextos de conhecimento. No meu caso, procurei aplicar esses princ\u00edpios no contexto escolar, raz\u00e3o porque vim parar em Torres Novas. O conhecimento adquirido durante a tese acabaram por me influenciar na forma como via o mundo em termos econ\u00f3micos, culturais, ecol\u00f3gicos e de sustentabilidade. A produ\u00e7\u00e3o alimentar, acabou por ser a minha forma de criar um projeto com impacto, que n\u00e3o fosse s\u00f3 econ\u00f3mico mas que tivesse relev\u00e2ncia local e cultural na regi\u00e3o. Mas o designer est\u00e1 sempre presente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Foi f\u00e1cil de implantar um projeto com viabilidade econ\u00f3mica em que o sustento da fam\u00edlia estivesse assegurado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi um processo na verdade muito acidentado. N\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos nada de agricultura, fomos fazendo sem grande planeamento. Descobrimos mais tarde a import\u00e2ncia do planeamento. Por isso cometemos muitos erros no caminho. A curva de aprendizagem nesta \u00e1rea acaba por ser longa . Tivemos que passar de sujeitos urbanos que cultivam os seus pr\u00f3prios alimentos, a uma escala com dimens\u00e3o mais comercial. Aprendemos com a pr\u00e1tica. Somos autodidatas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim3-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2482\" width=\"580\" height=\"580\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim3-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim3-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim3-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim3-768x768.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim3-600x600.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim3-480x480.jpg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim3.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><figcaption>Horta da Quinta do Alecrim<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:41px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>E como foi inserir-se no meio rural onde se estabeleceram? Houve muitas trocas de informa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 ao momento a nossa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de vizinhan\u00e7a. Na realidade estas comunidades rurais, onde nos estabelecemos est\u00e3o em geral muito envelhecidas. Depois de 16 anos em Portugal e 10 anos vivendo aqui no concelho de Torres Novas, descobrimos o abismo que existe entre o mundo de Lisboa e o mundo rural. As pessoas aqui s\u00e3o culturalmente muito mais fechadas e apesar das boas rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a, n\u00e3o revelam grande abertura para os debates globais que vivemos hoje em dia. \u00c9 como se estivessem completamente alheios, tanto os agricultores como os restantes habitantes desta comunidade. Para eles os problemas s\u00e3o outros, mais quotidianos, como a falta de servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos, o apoio ao mais velhos. O global \u00e9 visto como algo distante e de responsabilidade dos outros, dos pol\u00edticos, decisores ou especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o tiveram pr\u00e1ticas agr\u00edcolas para trocar? Experi\u00eancias?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trocamos muito com outras pessoas na mesma situa\u00e7\u00e3o, espalhadas pelo pa\u00eds, mas n\u00e3o \u00e0 n\u00edvel de vizinhan\u00e7a. Eu procuro abrir um leque de comunica\u00e7\u00e3o com o agricultor convencional, mas \u00e9 uma tarefa exigente. Eu eduquei-me na agricultura j\u00e1 a pensar em todo um universo ecol\u00f3gico que para mim faz todo o sentido, mas compreendo que para os meus vizinhos, descendentes de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de agricultores convencionais, a vis\u00e3o do mundo deles seja diferente. Eu n\u00e3o posso simplesmente dizer-lhes que uma forma de agricultura est\u00e1 errada e outra est\u00e1 certa. H\u00e1 todo um contexto cultural por detr\u00e1s que \u00e9 dif\u00edcil de mudar. S\u00e3o sistemas e formas de produzir que trazem uma certa estabilidade para estas fam\u00edlias e \u00e9 muito dif\u00edcil para algu\u00e9m (ou comunidade) que tem algo est\u00e1vel transitar para algo que n\u00e3o conhece. Sair da agricultura convencional para a ecol\u00f3gica \u00e9, muitas vezes, um passo rumo ao incerto para o agricultor. Na minha perce\u00e7\u00e3o, devemos criar formas demonstrativas de viabilidade econ\u00f3mica e ecol\u00f3gica. N\u00e3o adianta apenas impor pol\u00edticas, porque o importante \u00e9 criar modelos e contextos culturais apropriados para fomentar mudan\u00e7as. A agricultura convencional ela \u00e9 um modelo. Ela \u00e9 um pacote tecnol\u00f3gico que foi desenvolvido ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial e que foi globalmente adotado. Esse pacote ainda \u00e9 ensinado nas escolas agr\u00edcolas. Por isso tudo \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o que demora d\u00e9cadas para acontecer e j\u00e1 vamos muito atrasados portanto. Hoje a <strong>agricultura biol\u00f3gica<\/strong> representa apenas cerca 7% da produ\u00e7\u00e3o Europeia. Em temos nacionais, apesar de todo o crescimento tamb\u00e9m somos apenas 7% e destes apenas cerca de 3,0% \u00e9 produ\u00e7\u00e3o alimentar. O resto \u00e9 pasto. Ou seja, a agricultura biol\u00f3gica ainda \u00e9 algo residual.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2487\" width=\"580\" height=\"580\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim1.jpg 1000w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim1-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim1-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim1-768x768.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim1-600x600.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/3-horta-n-quinta-do-Alecrim1-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><figcaption>Horta da Quinta do Alecrim<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:43px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>E como \u00e9 que a agrofloresta chega aos seus projetos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por necessidade. Percebemos que t\u00ednhamos um espa\u00e7o f\u00edsico que precisava de ser regenerado. A horticultura demanda uma grande energia em termos de \u201cinput\u201d e quest\u00f5es relativas \u00e0 fertiliza\u00e7\u00e3o, energia e \u00e1gua est\u00e3o sempre a ser equacionadas em termos de uma maior autossufici\u00eancia. Este foi um motor, o outro, foi por quest\u00f5es pr\u00e1ticas. Dada a impossibilidade de plantar sob um sol intenso e a vontade de agregar diversidade, naturalmente foram surgindo \u00e1rvores, que me levaram a uma natural pesquisa de informa\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar \u00e0<strong> Agrofloresta<\/strong> que \u00e9 uma \u00e1rea de conhecimento enorme. Eu entendo que agroflorestas s\u00e3o sistemas produtivos que buscam replicar ciclos e disposi\u00e7\u00f5es naturais, no tempo e no espa\u00e7o, em arranjos produtivos integrados, com \u00e1rvores, arbustos, culturas agr\u00edcolas e\/ou atividades pastoris; promovendo diversidade biol\u00f3gica, resili\u00eancia ecol\u00f3gica e melhores proveitos econ\u00f3micos e sociais. Tem um potencial enorme de diversifica\u00e7\u00e3o na atividade agr\u00edcola e de regenerar ecossistemas degradados ao mesmo tempo. \u00c9 uma resposta muito interessante para os desafios contempor\u00e2neos da agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para pessoas que ouviram falar da permacultura, o que \u00e9 que a agrofloresta tr\u00e1s de novo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eventualmente pode n\u00e3o ser uma novidade de todo. Mas h\u00e1 sempre evolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que s\u00e3o novidades. De qualquer forma, tanto a Permacultura, como a agrofloresta, agricultura biol\u00f3gica, entre outras s\u00e3o parte de um contexto agroecol\u00f3gico que tem em comum a tentativa de entender as din\u00e2micas dos ecossistemas e viver de acordo. Neste caso n\u00e3o d\u00e1 para ficar atrelado a este ou aquele conceitos para n\u00e3o criarmos dogmas, ou nichos. H\u00e1 sempre novos descobrimentos e evolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e t\u00e9cnicas para agregar para ser o mais abrangente o poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual o seu projeto de futuro dentro daquilo que j\u00e1 tem?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s come\u00e7amos por um outro universo, o<strong> <em>Farm to Fork<\/em><\/strong>, ou seja, uma horta virada para mercado local. Hoje entendo a necessidade urgente de tamb\u00e9m desenvolver modelos altamente ecol\u00f3gicos para agricultura de maior escala. \u00c0quela que vai produzir para os grandes mercados, ou mesmo para a ind\u00fastria. Por isso, estamos a nos associar \u00e0 outras pessoas e produtores com capacidade e vontade de inovar neste contexto. Esperamos em breve al\u00e7ar novos voos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"815\" height=\"815\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2485\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-2.jpg 815w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-2-768x768.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-2-600x600.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-2-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 815px) 100vw, 815px\" \/><figcaption>projectos de Denis Hickel em Agrofloresta<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:44px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>E quais s\u00e3o os tipos de \u00e1rvore que est\u00e1 a introduzir?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No meu caso h\u00e1 muita experimenta\u00e7\u00e3o. Como fa\u00e7o consultoria de desenho de sistemas, a Quinta do Alecrim tornou-se num laborat\u00f3rio para o estudo de uma produ\u00e7\u00e3o alternativa. A agrofloresta d\u00e1 para tudo. N\u00f3s, por exemplo, estamos a experimentar a introdu\u00e7\u00e3o de eucaliptos. \u00c9 uma forma de provoca\u00e7\u00e3o. O eucalipto \u00e9 uma \u00e1rvore que \u00e9 muito forte na economia e que muito dificilmente vai desaparecer da cultura e da paisagem portuguesa. Sendo assim, o que est\u00e1 errado n\u00e3o \u00e9 a \u00e1rvore em si mas o uso da \u00e1rvore, a forma como ela \u00e9 integrada nos nossos ecossistemas atrav\u00e9s da monocultura. Eu tenho uma zona onde o eucalipto \u00e9 plantado em cons\u00f3rcio com outras \u00e1rvores como o sabugueiro, carvalhos e \u00e1rvores de fruto diversas. Aqui o eucalipto ocupa uma fun\u00e7\u00e3o na sucess\u00e3o ecol\u00f3gica. \u00c9 a \u00e1rvore pioneira, que cresce mais r\u00e1pido, que atrav\u00e9s de podas constantes vai produzir muita biomassa para o sistema. Tamb\u00e9m tem a fun\u00e7\u00e3o de ser uma primeira fonte de renda para o produtor. Mas h\u00e1 um momento em que ela sai do sistema para dar o espa\u00e7o para \u00e1rvores de fruta e carvalhos (ou outras aut\u00f3ctones) em crescimento, num processo de sucess\u00e3o. As \u00e1rvores florestais aut\u00f3ctones podem levar d\u00e9cadas para terem um porte razo\u00e1vel e proveito econ\u00f3mico. Mas t\u00eam um valor ecol\u00f3gico ineg\u00e1vel. Hoje h\u00e1 um fosso muito grande entre ecologia e economia e que precisamos preencher de forma criativa, fora da caixa. Dever\u00edamos misturar floresta, agricultura e cria\u00e7\u00e3o animal na forma das agroflorestas. Na verdade, dev\u00edamos nos ver como parte ativa nos ecossistemas e geri-los. Temos que criar economias florestais que fa\u00e7am sentido ecol\u00f3gico e econ\u00f3mico ao mesmo tempo. H\u00e1 muitos bons exemplo a surgir pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em que consistem os seus projetos de consultoria e qual a dimens\u00e3o que tem dentro no conjunto das suas atividades?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente quem me procura s\u00e3o os novos rurais e um tipo alternativo de novos agricultores. Diria que s\u00e3o pessoas com alguma capacidade de investimento e que pensam na <strong>quest\u00e3o ecol\u00f3gica<\/strong>, como algo de futuro. Olham para isso como uma forma de investimento. Querem regenerar ou melhorar o desempenho ecol\u00f3gicos nas suas atividades. J\u00e1 acompanhei uma agroindustrial que procurou implementar uma \u00e1rea experimental para estudar a sua viabilidade. H\u00e1 exemplos tamb\u00e9m no setor do Azeite, ou do vinho que buscam responder \u00e0s demandas crescentes por solu\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas. Tamb\u00e9m h\u00e1 pessoas de outras \u00e1reas de neg\u00f3cio como a hotelaria e a restaura\u00e7\u00e3o, que querem cultivar os seus pr\u00f3prios alimentos. Na verdade, h\u00e1 um grande n\u00famero de atores econ\u00f3micos que sem muito alarde est\u00e3o a investir nisso. Por exemplo, o Espor\u00e3o possui centenas de hectares de terra no Alentejo e toda a sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de certifica\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. H\u00e1 um tipo de investidores que est\u00e3o prontos para subir para um outro patamar de modelos de produ\u00e7\u00e3o, sem olhar apenas para o biol\u00f3gico, mas a tentar buscar uma sustentabilidade mais ampla e mesmo regenerar ecossistemas degradados. Um dos nossos desafios \u00e9 trabalhar com estas pessoas. A escala \u00e9 muito importante do ponto de vista da economia que temos hoje.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"692\" height=\"692\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2484\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-3.jpg 692w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-3-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-3-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-3-600x600.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-3-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 692px) 100vw, 692px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:49px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Estamos habituados que estes projetos sejam em geral em microescala, destinado a um p\u00fablico mais restrito que valorize o produto e n\u00e3o se importe de pagar um pouco mais caro, por isso. Mas como passar para uma escala maior?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios itens que complicam esta equa\u00e7\u00e3o. Em geral temos um agricultor numa das extremidades da cadeia alimentar, muito maltratado. \u00c9 pressionado a produzir com mais efici\u00eancia a aumentar a escala produtiva e manter-se \u00e0 par com a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Ao mesmo tempo, a expectativa do consumidor \u00e9 pagar pouco pelo produto final. Contudo, se adicionarmos as quest\u00f5es ecol\u00f3gicas \u00e0 equa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o alimentar, este n\u00e3o pode ser sempre barato. O custo real da produ\u00e7\u00e3o alimentar \u00e9 mascarado pela quest\u00e3o da escala, pelos subs\u00eddios e pelo facto de os fatores ecol\u00f3gicos n\u00e3o entrarem na conta da produ\u00e7\u00e3o alimentar. Depois, entra ainda a extens\u00e3o da cadeia alimentar que tem muitos intervenientes, muitas pessoas a intermediar at\u00e9 chegar ao consumidor final. Isso vai sempre reduzindo o valor no ponto inicial da cadeia (o agricultor), e quem fatura \u00e9 o industrial e as grandes superf\u00edcies. Assim, \u00e9 preciso mudar toda a cadeia alimentar para alterar o paradigma da agricultura. N\u00e3o vale a pena estarmos a discutir esta oposi\u00e7\u00e3o entre bi\u00f3logo sem discutir toda a cadeia alimentar. N\u00e3o mudaremos a agricultura, sem mudar o paradigma econ\u00f3mico, ou sem falar em outras formas distribui\u00e7\u00e3o de renda e organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e cultural.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 preciso para mudar a cadeia alimentar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro \u00e9 preciso esclarecer o consumidor. Este t\u00eam que compreender que \u00e9 parte nesse processo de transforma\u00e7\u00e3o, mudando h\u00e1bitos alimentares e de consumo e exigindo tomadas de posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica por parte de governantes e decisores. J\u00e1 h\u00e1 quem procure apoiar projetos como o nosso, de agricultura de proximidade. Ganhamos ambos com essa aproxima\u00e7\u00e3o. Eu consigo fazer pre\u00e7os de produtor para o consumidor final. Se falarmos em termos de produ\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, a pessoa que compra na minha quinta adquire um alimento de maior qualidade e menor impacto ambiental por um pre\u00e7o menor quando comparado com o que est\u00e1 dispon\u00edvel no supermercado. Th\u00e1 tamb\u00e9m que haver algumas altera\u00e7\u00f5es nos outros atores das cadeias alimentares que s\u00e3o os industriais e as grandes superf\u00edcies. Os industriais teriam que come\u00e7ar a desenvolver produtos com base em formas de agricultura alternativas e trabalharem junto com os agricultores outros processos e formas de viabiliza\u00e7\u00e3o desses produtos. Da parte dos supermercados era tamb\u00e9m importante mudar a sua cadeia de abastecimento, em vez de dependerem de cadeias longas, passarem por optar por cadeias mais curtas. O que vemos no supermercado s\u00e3o produtos das mais diversas partes do mundo e muito industrializados. Obviamente que tratam-se de mudan\u00e7as estruturais e s\u00f3 contando com a press\u00e3o do consumidor \u00e9 que poderia haver uma mudan\u00e7a maior. Mas em Portugal temos um consumidor pouco esclarecido, com pouca prioridade na sa\u00fade e na ecologia e com baixo poder aquisitivo que ainda precisa reconhecer que o impacto negativo da agricultura tem no meio ambiente n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um problema do agricultor, \u00e9 um problema da sociedade como um todo. E que n\u00e3o atacar este problema agora colocar\u00e1 em risco s\u00e9rio o nosso bem estar \u00e0 curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"844\" height=\"844\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2483\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta.jpg 844w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-300x300.jpg 300w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-150x150.jpg 150w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-768x768.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-600x600.jpg 600w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 844px) 100vw, 844px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:46px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Que acha das pol\u00edticas portuguesas relativas a estas quest\u00f5es agr\u00edcolas e do meio ambiente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 boa inten\u00e7\u00e3o, mas pouco entendimento da complexidade e da necessidade de mudan\u00e7as estruturais. H\u00e1 sempre uma tentativa de manter o status quo. As diretivas ao n\u00edvel europeu v\u00e3o no sentido certo, com estrat\u00e9gias tipo<em> <\/em><strong><em>Farm to Fork<\/em>.<\/strong> Mas a n\u00edvel nacional s\u00e3o deturpadas e apenas fazem o famoso <em><strong>greenwashing<\/strong><\/em>. Apesar de existirem programas espec\u00edficos, n\u00e3o existem estruturas de apoio local para realmente criar cadeias curtas de comercializa\u00e7\u00e3o, de capacita\u00e7\u00e3o de produtores, para conectar diferentes agentes, de sensibiliza\u00e7\u00e3o radical dos consumidores. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 uma cultura de monitoriza\u00e7\u00e3o criteriosa dos resultados \u2013 n\u00e3o apenas indicadores econ\u00f3micos \u2013 mas tamb\u00e9m socais, ecol\u00f3gicos, pr\u00e1ticos, etc. Para assim podermos elaborar estrat\u00e9gias mais holisticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Grosso modo, as pol\u00edticas s\u00e3o apenas pontuais, v\u00eam de cima para baixo, n\u00e3o abordam as quest\u00f5es mais complexas e os fundos n\u00e3o chegam na base da pir\u00e2mide. H\u00e1 tamb\u00e9m uma falta de entendimento do papel do poder p\u00fablico local, do seu papel de legislador para facilitar processos. Afinal, a forma como se organizam as cidades, um plano urban\u00edstico, tamb\u00e9m interferem na vida cultural das cidades a na forma como as pessoas se relacionam com este ou aquele tipo de com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda o aspecto da educa\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o, do agricultor, do empres\u00e1rio. Da cria\u00e7\u00e3o de uma no\u00e7\u00e3o coletiva de que mesmo numa economia competitiva e livre estaremos sempre atrelados \u00e0s din\u00e2micas dos ecossistemas e \u00e0s nossas comunidades onde vivemos. Assim, h\u00e1 sempre necessidade de alguma forma de intermedia\u00e7\u00e3o. Se deixarmos as coisas correrem simplesmente, h\u00e1 grande chance de a quest\u00e3o ecol\u00f3gica vir de cima para baixo e de forma impositiva. Se prezamos a nossa liberdade, dever\u00edamos ser n\u00f3s enquanto cidad\u00e3os os primeiros a reconhecer a necessidade de se envolver na mudan\u00e7a e na cria\u00e7\u00e3o de novos processos. Eu acredito que a ecologia na economia n\u00e3o \u00e9 restritiva, mas sim uma possibilidade para inovar e estabelecer outras formas de desenvolvimento e bem estar. Mas \u00e9 preciso pensar fora da caixa.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:54px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>texto por Francisco Vaz Fernandes<\/strong> para a revista&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/parq\/\" target=\"_blank\">PARQ 68<\/a>&nbsp;Dezembro de 2020<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:72px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-coblocks-social is-style-mask has-colors\" style=\" \"><ul><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/parqmag.com\/wp\/denis-hickel\/&#038;title=Denis%20Hickel\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--facebook     has-padding\" title=\"Share on Facebook\" style=\"border-radius: 40px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"height:22px;width: 22px;\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Share on Facebook<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"http:\/\/twitter.com\/share?text=Denis%20Hickel&#038;url=https:\/\/parqmag.com\/wp\/denis-hickel\/\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--twitter     has-padding\" title=\"Share on Twitter\" style=\"border-radius: 40px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"height:22px;width: 22px;\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Share on Twitter<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/pinterest.com\/pin\/create\/button\/?&#038;url=https:\/\/parqmag.com\/wp\/denis-hickel\/&#038;description=Denis%20Hickel&#038;media=https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-projectode-agrofloresta-3.jpg\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--pinterest     has-padding\" title=\"Share on Pinterest\" style=\"border-radius: 40px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"height:22px;width: 22px;\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Share on Pinterest<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><\/ul><\/div>\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2484,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","footnotes":""},"categories":[4,8],"tags":[1321,1322,1325,1319,1324,1323,22,147,1320,1327,625,1326],"class_list":["post-2476","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-design","category-lifestyle","tag-agricultura-biologica","tag-agrofloresta","tag-cadeia-alimentar","tag-denis-hickel","tag-ecologia-2","tag-farm-to-fork","tag-parq","tag-parqmag","tag-permacultura","tag-quinta-do-alecrim","tag-sustentabilidade","tag-torres-novas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2476"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2476\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2492,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2476\/revisions\/2492"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}