{"id":1216,"date":"2020-07-28T15:52:27","date_gmt":"2020-07-28T15:52:27","guid":{"rendered":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?p=1216"},"modified":"2020-07-30T13:29:29","modified_gmt":"2020-07-30T13:29:29","slug":"a-idealizacao-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/a-idealizacao-da-mulher\/","title":{"rendered":"A Idealiza\u00e7\u00e3o da Mulher"},"content":{"rendered":"\n<p>Entrevista por Patr\u00edcia C\u00e9sar Vicente<br>Fotografia Joana Pereira @batata_casada<\/p>\n\n\n\n<p>Esta entrevista \u00e9 uma forma de interven\u00e7\u00e3o, o Z\u00e9 e o Jorge aceitaram porque fazem parte daquela metade do mundo que acredita que podemos ser melhores. E para sermos melhores temos de falar, temos de ser livres. Aceitarmo-nos tal como somos e neste caso sem m\u00e1scaras.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4258-1-681x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1224\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4258-1-681x1024.jpeg 681w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4258-1-200x300.jpeg 200w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4258-1-768x1154.jpeg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4258-1-1022x1536.jpeg 1022w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4258-1-1363x2048.jpeg 1363w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4258-1-480x721.jpeg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4258-1.jpeg 1629w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"font-size:30px\"><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Com que idade \u00e9 que come\u00e7aram a ter interesse por roupas femininas, maquilhagem, etc?<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Desde sempre que preferi roupa feminina. Lembro-me que desde os cinco anos que disse \u00e1 minha m\u00e3e que queria ser eu a escolher a minha roupa. E ela disse-me: \u201cMas tu vais para a escola prim\u00e1ria! \u201d E eu insisti, queria ser eu a escolher. Sempre gostei de roupa feminina porque s\u00f3 morava como a minha m\u00e3e e a minha irm\u00e3. Elas sempre foram a minha refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Sempre fui louco. N\u00e3o com a idade do Jorge, mas sempre quis escolher a minha roupa. Parecia uma maluca mas\u2026Sei que o Jorge sempre foi mais monocrom\u00e1tico, eu sempre fui mais doida. Sempre tive mulheres \u00e0 minha volta e sempre quis vestir roupas mais femininas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Acham que isso foi uma influ\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Eu acho que sim.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Veio da educa\u00e7\u00e3o, quando somos pequeninos criamos os nossos \u00eddolos. E os meus eram a minha m\u00e3e e a minha irm\u00e3. No meu caso tinha exemplos femininos e isso acabou por me fascinar. N\u00e3o gosto do estere\u00f3tipo de que os gays t\u00eam um mau relacionamento com o pai. Mas se os nossos \u00eddolos s\u00e3o mulheres acabamos por apreciar mais esse g\u00e9nero.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Pegando nessa quest\u00e3o de estere\u00f3tipo. O facto de serem criados por mulheres ou maioritariamente por mulheres n\u00e3o fez de voc\u00eas gays, apenas aborda a tem\u00e1tica das roupas e do universo feminino. A tua orienta\u00e7\u00e3o sexual nada tem a ver com isso. Mas podemos falar disso?<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Seres homossexual tu nasces, ser ou n\u00e3o feminino \u00e9 que evolu\u00ed com o tempo. Seres feminino \u00e9 algo que tu aprendes ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Como \u00e9 que os vossos pais viam esse vosso interesse e com que idade \u00e9 que come\u00e7aram a sentir que de alguma forma eram recriminados?<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Eu acho que n\u00f3s nem damos conta, \u00e0s vezes est\u00e1 t\u00e3o enraizado na cultura que s\u00f3 mais tarde \u00e9 que percebemos o que \u00e9 que as pessoas queriam dizer com este ou aquele coment\u00e1rio, ou com este ou aquele olhar. Mas est\u00e1 enraizado. Eu como sempre idolatrei a minha m\u00e3e e ela sempre foi muito protectora. A minha m\u00e3e sempre gostou que eu cuidasse da minha irm\u00e3, eu gostava de fazer roupas para a minha irm\u00e3. Mas ao mesmo tempo ela nunca gostou do que as outras pessoas pudessem pensar sobre mim. No entanto, ela achava bonita a minha rela\u00e7\u00e3o com a minha irm\u00e3 e valorizava-a.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Os meus pais tiveram um caf\u00e9 durante muito tempo, enquanto estiveram juntos. A minha m\u00e3e sempre se preocupou imenso sobre o que os outros iam dizer, mas ela comigo sempre foi super ok. Tinhamos uma rela\u00e7\u00e3o bastante forte e dava-me mais com ela do que o meu pai. Mas sempre vivi rodeado de mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Acontece muitas vezes, o n\u00facleo familiar mais pr\u00f3ximo aceita tudo e lida bem, mas depois acaba por ser aquela tia, tio, primo ou parente mais afastado que acabam por causar algum mal-estar\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Sim, \u00e9 verdade. Principalmente os elementos masculinos, no meu caso. O que \u00e9 feminino era visto como sendo mais fraco. Mas eu sempre tive resposta. Diziam coisas como: \u201cO meu amigo est\u00e1 a ver-te\u2026porque \u00e9 que est\u00e1s a fazer esse gesto? Porque \u00e9 que te vestes assim? Porque \u00e9 que andas dessa maneira?\u201d Eu como sempre vi o lado feminino como algo forte, n\u00e3o queria saber do que eles diziam ou pensavam. Como todos n\u00f3s temos um lado egoc\u00eantrico, os elementos femininos quando me viam a ter um gesto parecido com o delas, era uma forma de elogio e protegiam-me. Agora aquilo a que \u00e9 chamado de masculinidade t\u00f3xica \u00e9 quando percebem que atrav\u00e9s dos nossos gestos e atitudes n\u00f3s n\u00e3o os adoramos, nem os vemos como o sexo forte.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Como est\u00e1s rodeado de mulheres como h\u00e1 pouco fal\u00e1vamos, acabas por ver a mulher como o sexo forte, \u00e9 a figura mais imponente at\u00e9. Eu sempre fui muito magro, sempre tive o rosto mais fino e uma vez quando eu tinha cerca de dez anos, estava numa reuni\u00e3o de fam\u00edlia. Estava imensa gente na casa de uma tia mais velha e quando ela me viu perguntou: \u201cQuem \u00e9 esta menina?\u201d E a minha m\u00e3e disse-lhe: \u201cTia, este \u00e9 o Zezinho.\u201d Era assim que me tratavam. E ela respondeu: \u201cTu \u00e9s demasiado bonito para seres um rapaz!\u201d E eu senti que foi um elogio, mas a minha m\u00e3e ficou incomodada com a pergunta<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Ao longo da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, qual foi a parte menos boa? Ou o momento menos bom que gostavam de mudar?<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Eu gostava de me ter descoberto mais cedo. Acho que tinha sido mais feliz. Tinha sido mais livre, acabas por n\u00e3o viver a 100% e hoje que estou \u00e0 vontade com a minha vida, sinto que n\u00e3o preciso de esconder nada. Na minha adolesc\u00eancia sempre fui mais agressivo, ripostava quando me atacavam. Eu cresci na margem sul e na margem sul ou tu arranjas defesas ou ent\u00e3o n\u00e3o tens hip\u00f3tese. E eu sempre fui agressivo a todos os n\u00edveis. Era escusado tentares atacar-me porque eu virava-me sempre. Tem tudo a ver com a nossa educa\u00e7\u00e3o e as nossas viv\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): S\u00f3 me preocupo com a minha m\u00e3e, ela teme que eu fique triste por aquilo que as pessoas me dizem. Mas eu n\u00e3o fico, eu sei que ela fica preocupada comigo. N\u00e3o gosto que ela tenha essa preocupa\u00e7\u00e3o. Eu estava sempre a pensar que n\u00e3o podia fazer nada que deixasse a minha m\u00e3e preocupada. Eu sofri de bullying sim, mas nunca me senti \u00e0 parte. Sempre tive amigos e pessoas que gostavam de mim, que sempre me adoraram por eu ser quem sou. Eu nunca precisei de me isolar, sempre tive algu\u00e9m que me apoiava. Desde pequenino. Eu sempre tive o dom da palavra. S\u00f3 bati uma vez num primo, numa noite de Natal porque ele passou a noite a gozar comigo. Avisei-o tr\u00eas vezes, at\u00e9 que lhe dei um pontap\u00e9 e ele caiu m cima da mesa de Natal. Desde pequenino que percebi que a palavra tem muito mais for\u00e7a do que a viol\u00eancia. As pessoas muitas vezes s\u00e3o fracas, quando confrontas uma pessoa, ela perde porque n\u00e3o tem argumentos. Quando me diziam: \u201cCorres como uma mulher\u2026\u201d Eu respondia: \u201cMas ela corre t\u00e3o bem, por isso \u00e9 que quero correr como ela.\u201d E eles perdiam for\u00e7a, n\u00e3o tinham o que responder. Eu criava muito mais respeito pela palavra do que se recorresse \u00e1 viol\u00eancia, se eu respondesse s\u00f3 com viol\u00eancia \u00eda ser visto como uma bicha agressiva. S\u00f3 ficavam com medo de mim e n\u00e3o ficavam mais cultos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-coblocks-gallery-carousel\"><div class=\"is-cropped coblocks-gallery has-caption-style-dark has-horizontal-gutter\"><div class=\"has-carousel has-carousel-lrg\" style=\"height:500px\" data-flickity=\"{&quot;autoPlay&quot;:false,&quot;draggable&quot;:true,&quot;pageDots&quot;:false,&quot;prevNextButtons&quot;:true,&quot;wrapAround&quot;:true,&quot;cellAlign&quot;:&quot;center&quot;,&quot;pauseAutoPlayOnHover&quot;:false,&quot;freeScroll&quot;:false,&quot;arrowShape&quot;:{&quot;x0&quot;:10,&quot;x1&quot;:60,&quot;y1&quot;:50,&quot;x2&quot;:65,&quot;y2&quot;:45,&quot;x3&quot;:20},&quot;thumbnails&quot;:false,&quot;responsiveHeight&quot;:false}\"><div class=\"coblocks-gallery--item\"><figure class=\"coblocks-gallery--figure has-margin-left-5 has-margin-left-mobile-5 has-margin-right-5 has-margin-right-mobile-5\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4263-1-683x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"1226\" data-link=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?attachment_id=1226\" class=\"wp-image-1226\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4263-1-683x1024.jpeg 683w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4263-1-200x300.jpeg 200w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4263-1-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4263-1-480x720.jpeg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4263-1.jpeg 896w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/figure><\/div><div class=\"coblocks-gallery--item\"><figure class=\"coblocks-gallery--figure has-margin-left-5 has-margin-left-mobile-5 has-margin-right-5 has-margin-right-mobile-5\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"655\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4262-1-655x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"1225\" data-link=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?attachment_id=1225\" class=\"wp-image-1225\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4262-1-655x1024.jpeg 655w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4262-1-192x300.jpeg 192w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4262-1-768x1200.jpeg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4262-1-983x1536.jpeg 983w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4262-1-480x750.jpeg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4262-1.jpeg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><\/figure><\/div><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>PCV: Z\u00e9, disseste que gostavas de te ter descoberto mais cedo. Porque \u00e9 que achas que isso n\u00e3o aconteceu? Por desconhecimento, medo\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Acho que foi mais por desconhecimento, sempre fui descontra\u00eddo, nunca senti a necessidade de me assumir como alguma coisa. Se eu gosto, n\u00e3o acho que tenha de ser uma coisa que eu tenha de dizer \u00e1s pessoas. As pessoas n\u00e3o precisam de saber daquilo que eu gosto. Se eu gosto \u00e9 a mim que me interessa, nunca fui de me importar com o que os outros dizem. O que fez com que mais tarde acabasse por chocar com a minha m\u00e3e, porque ela se preocupava com o que os outros pensavam de mim.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: A vossa fam\u00edlia ou as pessoas \u00e1 vossa volta tentaram de alguma forma que mudassem os vossos gostos quando eram crian\u00e7as?<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Acho que sim, de uma forma involunt\u00e1ria, \u00e9 como o sonho da m\u00e3e que quer que o filho seja m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Elas querem sempre o melhor para n\u00f3s e \u00e9 por isso que o fazem de forma involunt\u00e1ria. N\u00e3o o fazem por mal, \u00e9 por desconhecimento das pessoas<\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Com que idade \u00e9 que se montaram como Drag pela primeira vez?<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Fui eu que montei o Jorge pela primeira vez, quando ele tinha vinte e quatro ou vinte cinco anos. E eu devia ter para ai uns dezassete ou dezoito anos.<\/p>\n\n\n\n<p>PCV: O que \u00e9 que sentiram a primeira vez que se viram em Drag? Realiza\u00e7\u00e3o pessoal ou foi meramente profissional? Contem-nos a vossa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): No meu caso foi para trabalhar, eu j\u00e1 apanhei a fase Drag no mainstream. A arte Drag \u00e9 muito completa, permite-me exprimir de diferentes formas. Eu sempre fui de ci\u00eancias, a minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica \u00e9 de f\u00edsica. Sempre achei que podia fazer alguma coisa relacionada com artes. Eu n\u00e3o era bom cantor, nem era bom bailarino, nem magro o suficiente para ser modelo, percebes? Mas a arte Drag abrange estas \u00e1reas todas, por isso \u00e9 que achei a arte t\u00e3o fascinante. Resolvi experimentar para construir um personagem. Desde a primeira vez que o meu estilo evoluiu, mas \u00e9 coerente.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Foi para experimentar. A minha experi\u00eancia \u00e9 diferente da do Jorge, eu quando vim para Lisboa foi para estudar moda e sempre me fascinei pela figura andr\u00f3gena. Da imagem masculina com fei\u00e7\u00f5es mais femininas e eu brincava com isso. A partir do momento em que eu me descobri fiz tudo o que quis, a mim tornou-me mais forte. Quando estudava em Lisboa voltava todos os dias para a Margem Sul com casacos de p\u00ealo, com cal\u00e7as muito justas e plataformas. O meu Drag come\u00e7ou a vir da\u00ed, de querer vestir-me e a construir uma personagem. A cal\u00e7ar saltos altos e maquilhagem completa, ao mesmo tempo que usava a minha barba e l\u00e1bios carnudos, at\u00e9 para quebrar a constru\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero que a sociedade tem. Hoje em dia a minha personagem n\u00e3o tem p\u00ealos, \u00e9 muito feminina, como a minha idealiza\u00e7\u00e3o de deusa. A Rebecca \u00e9 a imagem da mulher perfeita para mim. \u00c9 a minha forma art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Como \u00e9 o vosso dia-a-dia? O vosso trabalho e vida di\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Durante a semana \u00e9 o c\u00e9rebro que trabalha, n\u00f3s como trabalhamos para o Trumps todas as semanas temos de estar de acordo com o tema e seguir esse tema. Temos sempre de andar \u00e1 procura de coisas para o tema, durante a semana \u00e9 o processo criativo e por vezes chega ao dia D, acho que n\u00e3o est\u00e1 bem e mudo tudo. Porque eu sou dessas! Sexta-feira acordo mais tarde, porque vou estar a noite toda a dan\u00e7ar. J\u00e1 tenho o ritual de \u00e0s sete da tarde come\u00e7ar a depilar-me, a tomar banho, normalmente j\u00e1 temos amigos c\u00e1 em casa e algu\u00e9m vai fazer uma pizza ou assim. Depois come\u00e7o a maquilhar-me, demoro cerca de quatro horas ou mais. J\u00e1 temos o nosso ritual, perto da meia noite come\u00e7o a apressar-me. Pelas duas da manh\u00e3 h\u00e1 uma reuni\u00e3o no Trumps e \u00e0s duas e meia come\u00e7amos. Depois \u00e9 at\u00e9 \u00e0s seis da manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Durante a semana o trabalho \u00e9 mais intenso, porque envolve pesquisa, estamos restringidos e s\u00e3o tr\u00eas noites por semana com tem\u00e1ticas diferentes. Tens de seguir essa tem\u00e1tica e mesmo assim seres fiel \u00e1 tua personagem. Por vezes, fazemos v\u00eddeos \u00e1 sexta-feira e \u00e9 preciso criar uma hist\u00f3ria para a tua personagem, n\u00f3s esfor\u00e7amo-nos bastante para essa constru\u00e7\u00e3o. Isso torna-nos completas, por ser t\u00e3o bem pensado. E depois temos low budget, o que nos obriga a sermos mais criativos. Tamb\u00e9m trocamos e emprestamos coisas umas \u00e1s outras. E entre Drag Queens ajudamo-nos umas \u00e1s outras. Temos a fam\u00edlia Haus Of Bunnys. H\u00e1 semanas em que temos shootings e isso acaba por dar mais trabalho, de vez em quando surge um evento ou outro.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Quais os principais obst\u00e1culos impostos pela sociedade \u00e1s Drag Queens?<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): A nossa sociedade ainda tem uma mente pequena, as pessoas ainda n\u00e3o sabem o que \u00e9 uma Drag. As pessoas se ouvirem falar numa Drag ainda associam a uma matrafona do Carnaval de Torres Vedras. Eles n\u00e3o est\u00e3o \u00e1 espera de ver uma imagem t\u00e3o semelhante a uma mulher. Perguntam como \u00e9 que \u00e9 estamos t\u00e3o bonitas sem termos tra\u00e7os masculinos. Acabas sempre por ver o espanto das pessoas. Hoje em dia as pessoas t\u00eam outra ideia atrav\u00e9s de uma Pablo Vittar e as pessoas a mim confundem-me com a Pablo. Sou bonita, sou feminina, sou a Pablo Vittar por termos uma silhueta id\u00eantica. Quando \u00e9 um tipo de Drag mais criativo, no meu caso sou mais feminino, mas h\u00e1 milh\u00f5es de formas de Drag Queens e n\u00e3o quer dizer, que por ter uma barba \u00e9 uma m\u00e1 Drag. Cada Drag \u00e9 diferente. No Trumps temos uma Drag barbuda, as pessoas dizem que n\u00e3o gostam comparado comigo e isso \u00e9 horr\u00edvel. \u00c9 quase como uma descrimina\u00e7\u00e3o. O Pedro fica lind\u00edssimo, mas as pessoas n\u00e3o entendem.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): O que a sociedade nos imp\u00f5e \u00e9 condicionado pela falta de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. E de um modo geral est\u00e3o \u00e1 espera de algo mais matraf\u00e3o, ou pensam que n\u00f3s n\u00e3o sabemos se queremos ser homens ou mulheres e que por isso andamos num limbo. \u00c9 falta de forma\u00e7\u00e3o. Drag \u00e9 uma forma de arte t\u00e3o grande, \u00e9 uma arte performativa e art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-coblocks-gallery-carousel\"><div class=\"is-cropped coblocks-gallery has-caption-style-dark has-horizontal-gutter\"><div class=\"has-carousel has-carousel-lrg\" style=\"height:500px\" data-flickity=\"{&quot;autoPlay&quot;:false,&quot;draggable&quot;:true,&quot;pageDots&quot;:false,&quot;prevNextButtons&quot;:true,&quot;wrapAround&quot;:true,&quot;cellAlign&quot;:&quot;center&quot;,&quot;pauseAutoPlayOnHover&quot;:false,&quot;freeScroll&quot;:false,&quot;arrowShape&quot;:{&quot;x0&quot;:10,&quot;x1&quot;:60,&quot;y1&quot;:50,&quot;x2&quot;:65,&quot;y2&quot;:45,&quot;x3&quot;:20},&quot;thumbnails&quot;:false,&quot;responsiveHeight&quot;:false}\"><div class=\"coblocks-gallery--item\"><figure class=\"coblocks-gallery--figure has-margin-left-5 has-margin-left-mobile-5 has-margin-right-5 has-margin-right-mobile-5\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4250-1-681x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"1227\" data-link=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?attachment_id=1227\" class=\"wp-image-1227\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4250-1-681x1024.jpeg 681w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4250-1-200x300.jpeg 200w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4250-1-768x1154.jpeg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4250-1-1022x1536.jpeg 1022w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4250-1-1363x2048.jpeg 1363w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4250-1-480x721.jpeg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4250-1.jpeg 1629w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/figure><\/div><div class=\"coblocks-gallery--item\"><figure class=\"coblocks-gallery--figure has-margin-left-5 has-margin-left-mobile-5 has-margin-right-5 has-margin-right-mobile-5\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4259-681x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"1228\" data-link=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?attachment_id=1228\" class=\"wp-image-1228\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4259-681x1024.jpeg 681w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4259-200x300.jpeg 200w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4259-768x1154.jpeg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4259-1022x1536.jpeg 1022w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4259-1363x2048.jpeg 1363w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4259-480x721.jpeg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4259.jpeg 1629w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/figure><\/div><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>PCV: Com maminhas, sem maminhas, com barba, sem barba. Acham que isso confunde?<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Para mim depende do look. Eu estudei moda e adoro criar silhuetas. Depende do meu mood, do look que eu queira criar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Tudo depende, tem tudo a ver com a personagem. Fa\u00e7o com e sem mamas, mas devido ao meu corpo fico melhor com mamas. Devido \u00e1s minhas formas, \u00e9 mais f\u00e1cil criar uma silhueta ampulheta e feminina.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Em tempos de crise ou de uma pandemia como aquela que estamos a viver em 2020, todas as \u00e1reas foram afectadas, o meio art\u00edstico foi uma delas. S\u00e3o tempos dif\u00edceis e numa sociedade como aquela em que vivemos, se tu ou eu fossemos a uma entrevista para trabalhar num call center, possivelmente eu seria seleccionada. Independentemente das vossas habilita\u00e7\u00f5es. Por terem unhas compridas, cabelo comprido e um ar mais feminino. Isto \u00e9 real? Como \u00e9 que voc\u00eas reagem perante situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a social e preconceito?<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Isso \u00e9 normal acontecer. J\u00e1 muitas pessoas passaram por isso. Mas n\u00f3s temos tido sorte. Eu como sempre trabalhei no meio art\u00edstico nunca senti isso. Mas sei de v\u00e1rias pessoas a quem isso aconteceu e \u00e9 triste.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge: Eu que trabalhava no mundo da \u00f3ptica, sinto que na altura me escolheram por eu ser diferente. Foi uma mais valia. Um representante dessa marca escolheu-me para ser gerente de uma das lojas, por causa do meu estilo e pela forma como me expresso. Mas nem sempre \u00e9 assim. No call center, como n\u00e3o estamos a ver a pessoa com quem vamos falar, tudo depende do preconceito da pessoa que te vai entrevistar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Como \u00e9 que v\u00eam esta exclus\u00e3o do mercado de trabalho? N\u00e3o vos aconteceu, mas sabem que \u00e9 uma realidade\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Claro que sim e lamentamos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Existem rivalidades entre Drag Queens. Existe rivalidade em todas as profiss\u00f5es. Mas no vosso caso, como \u00e9 que se percebe ou se manifesta essa rivalidade, competi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): A arte Drag est\u00e1 normalmente conectada ao shade que vem dos ballroom, que \u00e9 n\u00f3s estarmos a fazer pouco da outra pessoa, \u00e9 uma coisa natural. N\u00f3s temos uma casa e n\u00f3s fazemos shade umas \u00e1s outras, parte da cultura Drag. O shade tem de ser inteligente. Eu n\u00e3o me importo que me fa\u00e7am shade, desde que venha de um s\u00edtio real ou para ter gra\u00e7a. H\u00e1 pessoas que acham que shade \u00e9 falar mal dos outros e isso n\u00e3o \u00e9 shade. Chegares ao p\u00e9 de mim e dizeres \u201cest\u00e1s horrorosa\u201d isso n\u00e3o e shade, \u00e9 seres maldosa. H\u00e1 rivalidades em todas as profiss\u00f5es e tu para seres Drag tens de te achar a dona do peda\u00e7o, porque se assim n\u00e3o for nem funciona. H\u00e1 casas rivais, o mundo gay \u00e9 pequeno em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Por vezes, existem atritos que n\u00e3o aconteceram na realidade, s\u00e3o s\u00f3 as pessoas a quererem arranjar conflitos. \u00c9 desnecess\u00e1rio porque somos t\u00e3o poucos.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Os gays j\u00e1 s\u00e3o um nicho, as Drag Queens j\u00e1 s\u00e3o o nicho do nicho e Drags em Lisboa s\u00e3o o nicho, do nicho, do nicho. Ent\u00e3o, \u00e9 est\u00fapido haverem rivalidades. H\u00e1 espa\u00e7o para todos, aqui em Lisboa e em Portugal. As minhas irm\u00e3s Drags que s\u00e3o da minha casa, eu quero sempre que elas sejam \u00f3ptimas. Porque se elas forem \u00f3ptimas, ent\u00e3o, estamos todos a ajudar-nos a sermos melhores. Eu quero admirar e aprender com elas. A maquilhar melhor, dan\u00e7ar melhor. \u00c9 um tipo de rivalidade, mas faz com que eu queira ser melhor e crescer como artista.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Como Drag Queens trabalham num clube, para um p\u00fablico que aprecia as vossas performances. Mas quais s\u00e3o as possibilidades ou oportunidades para uma Drag Queen em Portugal? O que podiam fazer mais para al\u00e9m de performances em clubes e que ainda n\u00e3o \u00e9 feito?<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Como Drag podes fazer muita coisa, podes fazer workshops de dan\u00e7a, de maquilhagem, de cabelos, de styling, fazermos de host em eventos, podemos estar a apresentar uma marca de roupa, de maquilhagem, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Olhas para as Drags l\u00e1 fora e elas desfilam, elas s\u00e3o maquilhadoras profissionais a trabalharem em grandes revistas e depois em Portugal n\u00e3o h\u00e1 grandes op\u00e7\u00f5es. Em Portugal est\u00e3o agora a aparecer os brunches<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Por palavras vossas, expliquem por favor:<\/p>\n\n\n\n<p>Drag Queen: \u00c9 uma arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Travesti: Travesti \u00e9 a palavra utilizada para menosprezar uma Drag Queen que n\u00e3o seja t\u00e3o boa. \u00c9 associado a um homem que se veste de mulher, sem ser de uma forma profissional. A palavra est\u00e1 associado a algo menos positivo, como a prostitui\u00e7\u00e3o. Tem conota\u00e7\u00e3o negativa.<br>Transformista: Transformista e Drag Queen \u00e9 a mesma coisa. <\/p>\n\n\n\n<p>Transformista \u00e9 o termo associado ao Drag do Finalmente, as purpurinas, as lantejoulas, aquele montar de Drag como se fosse para as revistas. Transformista \u00e9 Drag mas em portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Transsexual: Envolve g\u00e9nero e mudan\u00e7a de sexo, n\u00e3o tem a ver com a arte Drag. Pode experimentar a arte Drag para autoconhecimento, para saberes como te sentes nessa pele. Mas est\u00e1 apenas relacionado com o g\u00e9nero e n\u00e3o com a arte.<\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Actualmente existe a ideia de glamour associada \u00e1s Drag Queens ,mas nem sempre foi assim. Os ataques f\u00edsicos e verbais continuam a existir, como \u00e9 que se lida com isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Eu retribuo, n\u00e3o devo nada a ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Eu n\u00e3o quero saber, ignoro. S\u00f3 dou valor \u00e1 opini\u00e3o das pessoas que eu gosto. N\u00f3s gays j\u00e1 temos muitas barreiras, muitas camadas e sempre tivemos de quebrar essas barreiras, portanto, n\u00e3o podemos deixar que tudo nos afecte. Ganha-se muito na vida pela maneira como se fala, sem usar a viol\u00eancia como arma.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Alguma vez sentiram medo?<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Claro que sim! Eu j\u00e1 vi estrangeiros a serem agredidos s\u00f3 porque eram gays. Eu coloco cara de m\u00e1 e mesmo que tenha medo, ningu\u00e9m vai saber.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): O s\u00edtio onde sinto medo \u00e9 na zona do Cais Do Sodr\u00e9 e Santos. No Cais e em Santos talvez por serem lugares mais h\u00e9tero normativos, j\u00e1 senti medo quando fui montado de Drag e quando n\u00e3o estava montado de Drag. S\u00f3 por ser gay. Uma vez, at\u00e9 defendi um mi\u00fado no McDonald\u00b4s de Santos que estava a ser gozado e amea\u00e7ado por ser gay. N\u00e3o me sinto confort\u00e1vel, sinto-me perseguido nessas zonas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Que conselhos \u00e9 que podem dar aos jovens que de alguma forma se sentem diferentes, exclu\u00eddos e t\u00eam uma enorme vontade de se descobrirem atrav\u00e9s de roupas mais femininas no caso dos rapazes e de roupas mais masculinas no caso das raparigas?<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Informem-se, porque ter informa\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo. Procurem bons exemplos. E foquem-se nas pessoas que est\u00e3o confort\u00e1veis por serem quem s\u00e3o. Se nem o teu corpo tem o sexo definido quando tu j\u00e1 vens com uma genit\u00e1lia pr\u00e9-definida, n\u00e3o \u00e9 a roupa que te deve definir. Sejam voc\u00eas pr\u00f3prios. Nada \u00e9 s\u00f3 masculino, nada \u00e9 s\u00f3 feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Lola): Uma coisa que ajuda muito \u00e9 seres verdadeiro contigo mesmo, para te sentires livre. E tamb\u00e9m para aqueles que te rodeiam. Quando contamos a aqueles que nos rodeiam \u00e9 completamente diferente, tudo muda tamb\u00e9m. Sentes-te mais \u00e0 vontade para seres quem queres ser, protege-te saber que as pessoas que amas sabem das tuas escolhas e te aceitam por seres quem \u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Que conselhos \u00e9 que podem dar aos pais desses mesmos jovens?<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): Informem-se. A minha irm\u00e3 quando soube que eu era Drag Queen, ela foi procurar informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): As pessoas t\u00eam que ter no\u00e7\u00e3o que mesmo que os seus filhos n\u00e3o tenham os mesmos gostos e prefer\u00eancias que os pais, no final do dia eles continuam a ser os filhos deles.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>PCV: Como \u00e9 que gostavam que vos vissem e o que gostavam de dizer a todas as pessoas que de alguma forma s\u00e3o preconceituosos relativamente a Drag Queens?<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge(Lola): O que eu mais gosto na minha Drag \u00e9 ser um exemplo para as pessoas serem livres e serem quem querem ser. E eu sei que passo essa mensagem e isso deixa-me feliz. H\u00e1 uma menina que at\u00e9 j\u00e1 fez uma tatuagem da minha Lola e ela n\u00e3o representa s\u00f3 a minha Lola, representa a arte de te expressares.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9(Rebecca): Acho que as pessoas antes de falarem do que quer que seja deviam informar-se. Se querem saber e ver o que \u00e9 uma Drag Queen v\u00e3o at\u00e9 ao nosso local de trabalho, vejam-nos a performar. Vejam o que n\u00f3s fazemos e depois podem formar a vossa opini\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:30px\"><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:30px\"><\/p>\n\n\n\n<p>O meu mais sincero agradecimento ao Z\u00e9 e ao Jorge, s\u00e3o um verdadeiro exemplo. Como seres humanos e profissionais. J\u00e1 nos cruz\u00e1mos mais do que uma vez por raz\u00f5es profissionais e para mim foi um privil\u00e9gio estar cerca de duas horas a conversar com eles. Com toda a honestidade e simplicidade do mundo, sempre que estamos juntos sinto que aprendo mais.<br>Acredito que n\u00f3s podemos mudar o mundo atrav\u00e9s do amor. Quando h\u00e1 amor, procuramos respostas. Quando h\u00e1 \u00f3dio, procuramos apenas desculpas. Esta entrevista \u00e9 dedicada a todas as Drag Queens que ao longo dos anos t\u00eam evolu\u00eddo e com ou sem medo, dedicam-se e vivem para a arte. \u00c9 preciso muito amor para se dedicar a uma arte que ainda sofre de enorme preconceito nos dias de hoje. Dedico esta entrevista a todas as pessoas que est\u00e3o em cima do muro \u00e1 procura de respostas. Dedico esta entrevista a todos os pais que aceitam os seus filhos, independentemente das suas escolhas. Dedico esta entrevista a todos os que est\u00e3o dispostos a quebrar barreiras, a aprender e eliminar o preconceito. Esta entrevista tem como objectivo educar e aprendermos todos juntos. Junho \u00e9 o m\u00eas do Pride e todos n\u00f3s devemos ser orgulhosos de sermos quem somos. Seja connosco ou com o mundo, a paz ser\u00e1 sempre uma op\u00e7\u00e3o. Sejam felizes!<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-coblocks-social is-style-mask has-colors\" style=\" \"><ul><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/parqmag.com\/wp\/a-idealizacao-da-mulher\/&#038;title=A%20Idealiza\u00e7\u00e3o%20da%20Mulher\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--facebook     has-padding\" title=\"Share on Facebook\" style=\"border-radius: 40px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"height:22px;width: 22px;\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Share on Facebook<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"http:\/\/twitter.com\/share?text=A%20Idealiza\u00e7\u00e3o%20da%20Mulher&#038;url=https:\/\/parqmag.com\/wp\/a-idealizacao-da-mulher\/\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--twitter     has-padding\" title=\"Share on Twitter\" style=\"border-radius: 40px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"height:22px;width: 22px;\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Share on Twitter<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/pinterest.com\/pin\/create\/button\/?&#038;url=https:\/\/parqmag.com\/wp\/a-idealizacao-da-mulher\/&#038;description=A%20Idealiza\u00e7\u00e3o%20da%20Mulher&#038;media=https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_4258-e1595951951370-1024x989.jpeg\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--pinterest     has-padding\" title=\"Share on Pinterest\" style=\"border-radius: 40px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"height:22px;width: 22px;\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Share on Pinterest<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><\/ul><\/div>\n\n\n<p style=\"font-size:50px\"><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:50px\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1243,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","footnotes":""},"categories":[8,13],"tags":[442,443,445,451,444,450,447,22,147,201,446,448,449],"class_list":["post-1216","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lifestyle","category-moda","tag-dragqueen","tag-joana-pereira","tag-jorge","tag-lgbtq","tag-lola","tag-love","tag-pablo-vittar","tag-parq","tag-parqmag","tag-patricia-cesar-vicente-2","tag-rebecca","tag-trumps","tag-woman"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1216"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1271,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1216\/revisions\/1271"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1243"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}