{"id":10570,"date":"2026-03-17T20:54:19","date_gmt":"2026-03-17T20:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?p=10570"},"modified":"2026-03-17T20:54:22","modified_gmt":"2026-03-17T20:54:22","slug":"o-dominio-de-clark-no-parallel-society","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/o-dominio-de-clark-no-parallel-society\/","title":{"rendered":"O dom\u00ednio de Clark no Parallel Society"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Texto de Hugo Pinto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong><a href=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/?page_id=10579\" data-type=\"page\" data-id=\"10579\">Parallel Society<\/a> <\/strong>decorreu nos dias 6 e 7 Mar\u00e7o num enorme armaz\u00e9m de <strong>Marvila<\/strong>. No primeiro dia o tema era a tecnologia e a privacidade, mais o ativismo e as criptomoedas, a partilha de ficheiros e rela\u00e7\u00e3o de tudo isso com a arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Num ambiente tranquilo, carregado de geeks, entre workshops e demonstra\u00e7\u00f5es de produtos, houve oportunidade de conhecer um dos fundadores do Internet Archive e de ouvir falar malta nova que lida com problemas recentes. Foi interessante, mas as minhas expectativas estavam todas nos concertos do segundo dia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6ea7a26c-de38-4653-b449-9d3899c301f0.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10571\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6ea7a26c-de38-4653-b449-9d3899c301f0.jpg 750w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6ea7a26c-de38-4653-b449-9d3899c301f0-225x300.jpg 225w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6ea7a26c-de38-4653-b449-9d3899c301f0-480x640.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong> Abajour Nanok<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Cheguei ao final de tarde e ainda deu para ver o quinteto de jazz portugu\u00eas<strong> Abajour Nanok<\/strong>. Jazz el\u00e9trico, com aquela fus\u00e3o de funk e soul, redondinho e tranquilo de se ouvir. Ainda havia pouca gente mas a malta parece ter aderido.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguiu-se as <strong>Los Bichos<\/strong>, um quarteto feminino de surf rock ingl\u00eas, que aqui actuou com um jovem na guitarra solo. Barulhentas e divertidas, t\u00eam ainda aquela frescura de banda nova. Com grande atitude em palco, estas jovens podem singrar nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Moses Boyd <\/strong>\u00e9 um baterista da nova cena de jazz ingl\u00eas que deu nas vistas com Dark Matter de 2020. (Eu prefiro-o no duo Moses &amp; Boyd com o saxofonista Binker Golding). J\u00e1 o tinha visto por c\u00e1 no ID_Fest, h\u00e1 uns 6 anos, num quarteto de jazz cl\u00e1ssico. Agora, no entanto, \u00e9 tudo muito diferente. Este quinteto de bateria, baixo, teclados, voz e guitarra faz um soul jazz muito cool, onde os teclados muito 70\u2019s de Dian Gasper e a voz, muito neosoul brit\u00e2nica, de Leyla elevam o padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sendo fresco, ouve-se muito bem. Aquela coisa muito Smooth FM e Jazz na relva. S\u00e3o um quinteto de jazz de fus\u00e3o el\u00e9trico (Again?!), tem temas engra\u00e7ados e outros meio melosos. Haver\u00e1 sempre p\u00fablico p ara isto e aproveitaram para mostrar o novo disco a sair l\u00e1 mais para o ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clark<\/strong> \u00e9 o senhor que se segue. Ele, senhor de uma discografia cuidada entre bandas sonoras, ambient e m\u00fasica eletr\u00f3nica, marca a segunda d\u00e9cada deste s\u00e9culo como poucos. H\u00e1 em si uma mir\u00edade de g\u00e9neros que, embora nalguns casos possam ter nascido noutros tempos, renascem por ele atualizados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ecf26b24-2670-442d-bb37-091e21f281ab.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10572\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ecf26b24-2670-442d-bb37-091e21f281ab.jpg 750w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ecf26b24-2670-442d-bb37-091e21f281ab-225x300.jpg 225w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ecf26b24-2670-442d-bb37-091e21f281ab-480x640.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O concerto foi extraordin\u00e1rio, um dos melhores concertos a que j\u00e1 assisti. N\u00e3o dava para estar quieto, era uma fus\u00e3o de breakbeat e drum &amp; bass com tecno, uma mistura explosiva que me bateu na alma. Dancei, suei, sorri e arrepiado, fechei os olhos e viajei. Fui ao Ciclone da Cool Train Crew, depois ao Lux com o Shadow e acabei na terra do LTJ Bukem a comer alcachofras com o Villalobos. Uff\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Clark n\u00e3o p\u00e1ra de rodar bot\u00f5es, acelerando e atrasando, lan\u00e7ando pistas mil e clips sujos, tudo embrulhado num ritmo maquiav\u00e9lico, onde os breaks est\u00e3o no subn\u00edvel dos baixos e nada se mant\u00e9m intacto por 5 segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo o que ouvimos \u00e9 exclusivamente produzido por Clark. Todos os beats, todas as batidas, em todos os teclados que rodeiam o homem em palco. Atr\u00e1s dele, s\u00e3o projectadas imagens cuidadas, entre a videoarte e o minimalismo gr\u00e1fico. \u00c9 tudo uma alegoria sofisticada, um bailado a 190 BPM e a materializa\u00e7\u00e3o da contemporaneidade s\u00f3nica<\/p>\n\n\n\n<p>Entre cada tema havia pausas mais ambient que serviam de rampa de lan\u00e7amento (a mim permitiam-me s\u00f3 respirar), para a nova loucura que se adivinhava. E nunca desiludia. No fim, com a alma a transbordar de felicidade, extenuado e sorridente, tive de me sentar dez minutos s\u00f3 para voltar \u00e0 terra. \u00c9 de momentos destes que se faz uma vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de <strong>Clark veio Gilles Petterson<\/strong>, pioneiro da m\u00fasica eletr\u00f3nica e senhor de um curr\u00edculo invej\u00e1vel. Come\u00e7ou o seu dj set com o imagin\u00e1rio brasileiro e seguiu numa atitude lounge a que nem faltou a voz do saudoso MC Galliano.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0688-794x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10575\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0688-794x1024.jpg 794w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0688-233x300.jpg 233w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0688-768x990.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0688-480x619.jpg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0688.jpg 826w\" sizes=\"auto, (max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Los Bichos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Os temas podem ser de agora, mas a onda \u00e9 dos anos 90, entre a Viena do Kruder e as remisturas de world music na editora Talking Loud. Um set seguro, muito doce e tranquilo de ouvir mas, depois da loucura de Clark, parecia-me algo pueril.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apparat<\/strong>, de seu nome Sasha Ring, veio apresentar o seu \u00faltimo \u00e1lbum, <strong>A Hum Of Maybe<\/strong>, uma das boas surpresas deste ano. O primeiro concerto desta digress\u00e3o ficou marcado por v\u00e1rios problemas t\u00e9cnicos. Entre a mesa e a banda, os equipamentos e o som, houve um pouco de tudo a correr mal.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou por surpreender, ver Apparat de guitarra na m\u00e3o. A sua voz est\u00e1 cada vez mais segura e ainda assim \u00e9 fr\u00e1gil. Apparat ofereceu uma pop eletr\u00f3nica, cada vez com mais instrumentos ac\u00fasticos. \u00c9 mais f\u00e1cil que Moderat e longe da frescura de Walls, o magn\u00edfico primeiro \u00e1lbum de 2007. A Hum Of Maybe f unciona melhor em est\u00fadio mas h\u00e1 potencial para ser um melhorconcerto.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 perto da meia noite e meia, <strong>Kode9<\/strong>, o nome art\u00edstico do autor, editor e m\u00fasico Steve Goodman, partia a lou\u00e7a toda numa sala adjacente. Eram BPM pesadas e r\u00e1pidas, com mais tecno e menos dub que o esperado. O ambiente estava mais compacto nesta sala e toda a gente parecia estar a curtir aquela velocidade. Eu j\u00e1 estava demasiado cansado para tanta correria.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei com a melhor impress\u00e3o do Parallel Society. A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 simp\u00e1tica e prest\u00e1vel, o espa\u00e7o cumpria e o p\u00fablico portou-se muito bem.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro dia foi did\u00e1tico e os concertos do segundo dia valeram mesmo a pena.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"788\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0677-788x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10576\" srcset=\"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0677-788x1024.jpg 788w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0677-231x300.jpg 231w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0677-768x998.jpg 768w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0677-480x624.jpg 480w, https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_0677.jpg 827w\" sizes=\"auto, (max-width: 788px) 100vw, 788px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":10576,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[4405,4399,4404,62,31,4398,22,147],"class_list":["post-10570","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-abajour-nanok","tag-apparatt","tag-clark","tag-marvila","tag-musica-2","tag-parallel-society-em-marvila","tag-parq","tag-parqmag"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10570"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10580,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10570\/revisions\/10580"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/parqmag.com\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}